Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa

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País


Sinopse

Pedro fugiu de casa e vaga pelas estradas. Quando conhece Lucas, percebe que terá nele um parceiro de aventuras. Sem perspectivas ou algo que os prenda a algum lugar, os dois percorrem o país em busca de algo que não sabem o que é.


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Crítica Cineweb

12/08/2014

O êxito de um road movie pode ser medido em quanto o espectador “embarca na viagem” dos personagens da história. Até porque é o público quem vai rodar ou caminhar junto com eles no decorrer de toda a película. Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa (2013), de Gustavo Galvão, é o novo exemplar nacional do gênero de filmes de estrada. No entanto, para muitos que o assistirem, a trajetória apresentada na tela se tornará uma jornada enfadonha de acompanhar.
 
Pedro (Vinícius Ferreira) é um brasiliense que, de repente, largou toda a vida que tinha na capital federal para pegar a estrada e partir sem rumo pelo Brasil. Em um restaurante à beira de uma rodovia em Minas Gerais, ele encontra Lucas (Marat Descartes), um homem, também por volta dos 30 anos, tão perdido quanto ele, porém mais astuto para seguir pelos caminhos e lugares mais desconhecidos que encontram. Juntos, eles mergulham pelas entranhas do país, sempre se deparando com tipos e situações que farão Pedro repensar suas crenças e valores.
 
A fuga dele é da família, representada pela irmã (Maria Manoella). E do trabalho, que está bem longe do seu sonho de ser poeta. E de Brasília, cidade que aprisiona não só a ele como a vários personagens que cruzam sua rota – e, provavelmente, o próprio diretor, que deve travar uma relação de amor e ódio com o lugar onde nasceu e viveu. E dos padrões de uma sociedade a qual ele não sente mais pertencer. O filme faz questão de deixar claro que, mesmo que ele volte para sua antiga vida, ela nunca mais será igual, porque Pedro estará sempre buscando “uma dose violenta de qualquer coisa”.
 
Percebe-se desde o título do longa, uma citação a um verso de Uivo, obra-prima do poeta – tal qual o posto almejado pelo protagonista – Allen Ginsberg, a influência da geração beat. O fato de ser um road movie, evocando o clássico romance Na Estrada, de Jack Kerouac, além da trilha sonora – de Ivo Perelman, Matthew Shipp, Mat Maneri e Sirius Quartet, que foram premiados no Festival de Brasília 2013 pelo trabalho – calcada no jazz, ritmo musical que embalava as loucuras dos escritores do movimento que principiou a contracultura, contribuem na constatação de tal referência.
 
Entretanto, essa inquietude em que o cineasta se inspira não foi bem explorada nesta história. O roteiro de Galvão, com Cristiane Oliveira e Bernardo Scartezini, é circular e extremamente frenético. O script tem grandes problemas com a conexão das situações que se apresentam na trajetória do protagonista e, principalmente, com o ritmo.
Junte-se a isso a artificialidade dos diálogos, repletos de frases de efeito que aspiram a um significado mais profundo, mas permanecem superficiais. Marat Descartes e Leonardo Medeiros se esforçam bastante e criam tipos extremamente curiosos – o segundo, na pele de um caminhoneiro traficante paraguaio, tem um sotaque bem peculiar –, mas as falas forçadas não colaboram com eles.
 
Ao final, Gustavo Galvão, que foi crítico de cinema durante sete anos no jornal Correio Braziliense, traz algo mais concreto do que seu primeiro longa, a colcha de retalhos não tão bem costurada que era Nove Crônicas para um Coração aos Berros (2012). Mas seu grito de liberdade não parece ser capaz de conquistar tanto o público, assim como ele foi conquistado pelo uivo da geração beat.

Nayara Reynaud


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