Não pare na pista - A melhor história de Paulo Coelho

Não pare na pista - A melhor história de Paulo Coelho

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País


Sinopse

Desde garoto, Paulo Coelho sonhava ser escritor. Mas seu pai nem queria ouvir falar disso, pressionando-o para ter uma profissão "estável". Envolvendo-se com drogas, ele termina internado num hospício pelo próprio pai. Mas não desiste de seu sonho. Um dia, sua vida começa a mudar, a partir do encontro com o roqueiro Raul Seixas, de quem se torna parceiro.


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Crítica Cineweb

12/08/2014

Se a vida do escritor Paulo Coelho já rendeu pelo menos um livro – O Mago, sua biografia escrita por Fernando Morais – nada mais natural do que se desenvolver também num filme, ainda mais tendo em vista a fama internacional do autor. É o que acontece em Não pare na pista – a melhor história de Paulo Coelho, de Daniel Augusto, que abriu, fora de competição, o mais recente Festival de Paulínia, em julho.
 
Focando-se na juventude e na vida adulta do escritor antes do sucesso, o filme roteirizado por Carolina Kotscho (2 Filhos de Francisco) estruturou-se menos pela biografia de Fernando Morais e mais por diversas entrevistas realizadas diretamente com o personagem – que, segundo a roteirista e o diretor, em Paulínia, não teria interferido na produção, embora tenha aprovado o resultado.
 
Dois irmãos interpretam o protagonista: Ravel Andrade na juventude, Júlio Andrade (Gonzaga – de pai pra filho), na vida adulta (inclusive na velhice, quando aparece sob uma pesada maquiagem). Na primeira fase, estão os conflitos mais acirrados com o pai engenheiro e rígido, Pedro (Enrique Diaz), que não quer nem ouvir falar no projeto do filho de ser escritor. Para o pai, Paulo precisa de uma profissão estável. Ser escritor não se enquadraria.
 
A divergência entre os dois aumenta na medida em que o filho mergulha na onda de sua época, os anos 1960, embalado em drogas e rock’n’roll. Não demora muito e Pedro manda internar Paulo num hospital psiquiátrico, para livrá-lo da suposta dependência das drogas. É o primeiro contato do jovem com o inferno da repressão, dos eletrochoques. Não será o último.
 
Adulto, Paulo mergulha cada vez mais na contracultura, editando uma revista de ufologia – que será o elo que lhe permite o encontro com o roqueiro Raul Seixas (Lucci Ferreira). Os assuntos mágicos e esotéricos darão a ponte para um relacionamento de amizade e parceria, que renderá sucessos musicais como Sociedade Alternativa e Gita.
 
Apesar da ruptura dolorida que se produziu entre ambos, a partir do momento em que Seixas não admitiu publicamente a co-autoria de Coelho em Gita, o enredo não deixa de registrar a dívida do futuro autor de bestsellers com o músico, que teria lhe dado conselhos fundamentais no sentido de enxugar sua prosa.
 
Pulando o tempo todo de um período a outro na vida do escritor – inclusive na maturidade, quando ele realiza uma intempestiva nova viagem a Santiago de Compostela com a mulher (Fabiana Gugli) -, o filme dificulta a conexão emocional do espectador com seu protagonista. A viagem a Santiago de Compostela, especialmente, parece sobrar na história e ser mantida para justificar a parceria da Espanha na coprodução do filme – que tem no seu elenco a atriz Paz Vega (Lúcia e o Sexo), que sintetiza em sua personagem várias mulheres que passaram na vida do escritor.
 
Até por Ravel e Júlio de Andrade serem dois intérpretes generosos, de muitos recursos, assim como Enrique Diaz, não é menos verdade que o roteiro nem sempre os serve a contento. Duas boas cenas saltam à vista – aquela em que o pai ouve pelo rádio uma música a ele dedicada pelo filho; e uma outra em que Paulo vira o jogo contra um torturador, numa prisão durante a ditadura, passando-se por mais louco do que realmente é.
 
A literatura de Paulo Coelho, afinal, não é objeto de Não pare na pista..., que é uma espécie de prequel do personagem midiático. O que talvez não seja satisfatório do ponto de vista de seus milhões de fãs, compradores de seus livros. Como retrato de época, também fica devendo muito. 

Neusa Barbosa


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