Meteora

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País


Sinopse

Theodoros é um monge que habita um mosteiro no alto de uma montanha. Do outro lado de um profundo vale, também no alto de um monte, vive a freira Urania. Apesar das restrições religiosas, os dois se apaixonam loucamente e vivem em segredo essa paixão.


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Crítica Cineweb

11/08/2014

Uma câmera na mão trêmula acompanha a corrida de uma cabra para tentar escapar das mãos de seu criado. Na sequência, em um longo plano estático, vê-se o registro documental do homem retirando a pele do animal, que está pendurado em uma árvore de Meteora, centro monástico da Igreja Cristã Ortodoxa, cujas construções dos seis mosteiros que compõem o complexo, sobre os cumes de rochas de arenito na região central da Grécia, que fizeram o local ser declarado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
 
Mas, ao contrário do que se possa imaginar, a cabra, levada tantas vezes ao sacrifício nas passagens do Antigo Testamento, desta vez não foi imolada ao Senhor, e sim em nome do amor, em Meteora (2012). O filme do greco-colombiano Spiros Stathoulopoulos é uma história clássica de amor proibido, mas repleto de tantas simbologias que não se esgotam em uma única sessão, tornando-o uma obra com várias camadas a serem desvendadas.
 
A trama em si se debruça sobre a difícil relação amorosa do monge Theodoros (Theo Alexander) – cujo nome, em grego, significa “presente de Deus” – e da irmã Urania (Tamila Koulieva-Karantinaki) – que, segundo o mesmo idioma, quer dizer “celestial”. Além da impossibilidade imposta pelo celibato, há o obstáculo geográfico, já que existe um abismo entre a montanha do mosteiro dele, aonde só se chega ao topo após subir centenas de degraus, e o monte do convento dela, só acessível por uma espécie de elevador manual, em que as compras e as religiosas sobem por meio de uma grande rede cuja corda, ligada a uma roldana, é puxada pelas outras freiras. No entanto, nem os preceitos religiosos nem o empecilho físico impedem o desejo que sentem um pelo outro.
 
Oficialmente, ela o vê quando ele está auxiliando nas celebrações e não consegue tirar os olhos dele. A culpa que sente por isso leva até a irmã a punir-se fisicamente. Secretamente, os dois se encontram no vale entre as grandes rochas e nas cavernas. Nesses momentos mais íntimos, estão grande parte dos escassos diálogos do filme. Mesmo assim, o grego Theo Alexander, mais conhecido pelo Talbot da série True Blood (2008-), e a russa Tamila Koulieva, de Vasiliki (1997), constroem a base da paixão entre seus personagens através de olhares e pequenos gestos.
 
Diferentemente de PVC-1 (2007), seu primeiro longa que foi premiado em Cannes, em que o cineasta operava a câmera na película colombiana gravada em um único take, Stathoulopoulos, que também é responsável pela fotografia de seus filmes, prefere usar planos longos em seu mais recente trabalho, o grego Meteora – uma coprodução franco-germânica, exibida no Festival de Berlim de 2012. O diretor opta pelo olhar observador para dar o tom documental da obra, que não registra só a bela paisagem local, como também os costumes do vilarejo, desde a tradição dos eremitas que primeiro habitaram o lugar até a cultura regional, e principalmente os hábitos dos religiosos do centro monástico.
 
Em contrapartida, há o uso da animação com o diferencial do traço típico dos ícones bizantinos para dar vazão aos pensamentos dos protagonistas. Jesus Cristo, o inferno, um labirinto – uma possível referência à história mitológica de Minotauro – e uma corda bamba sobre o abismo são alguns dos elementos animados para representar o desejo reprimido de ambos. Junto com o peso sonoro das marteladas do início, que, ao lado dos sinos, aumentam no decorrer do longa, eles traçam a crescente angústia do casal.
 
Mas se na história de São Jacó, contada em determinada cena, ressalta-se que o pior pecado é o desespero, Spiros tenta dizer o mesmo, seja para os assuntos divinos/religiosos e do coração ou até sobre a complicada situação econômica grega – inclusive acerca da cinematografia local. De certo modo, além de exaltar o valor da liberdade, o diretor aponta, assim como seus próprios personagens com espelhos e metais, que a luz para tudo isso é o próprio amor.

Nayara Reynaud


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