Paraíso [2013]

Ficha técnica


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País


Sinopse

Carmen e Alfredo formam um casal feliz, comilão e gorducho. Um dia, ele consegue um emprego melhor e os dois se mudam do subúrbio para a capital. Neste novo ambiente, sentem-se confrontados pelos antigos valores e comportamentos. Decidem fazer uma dieta e se transformar, o que abre uma crise no casamento.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

06/08/2014

Não é só por eleger como sua musa uma heroína bem fora dos padrões estéticos e esquálidos vigentes que a comédia dramático-romântico mexicana Paraíso se desvia das formulações quase inevitáveis do gênero.
Sem dúvida, é a joia do filme ter acertado com uma atriz tão natural e carismática quanto a estreante Daniela Rincón para interpretar sua rechonchuda protagonista, Carmen.
 
Casada com um namorado da adolescência, Alfredo (Andrès Almeida), ela encarna com ele um protótipo de felicidade suburbana. Comilões, gorduchos e apaixonados, eles moram em Satélite, um subúrbio da capital mexicana, têm um cachorro e uma árvore plantada no jardim. Ela trabalha no negócio de refeições dos pais.
 
Quando ele consegue um novo emprego numa grande empresa na Cidade do México, acena-se para uma perspectiva de ascensão social. Mas também de total mudança de parâmetros. Literalmente, o chão parece sair de debaixo dos pés de Carmen, especialmente. Afinal, é ela quem será privada do trabalho familiar, do cachorro e das relações que a sustentavam até ali.
 
A inadequação da bagagem que os dois trazem para o novo apartamento é simbolizada pela imensa geladeira – que não cabe na porta e tem que ser despachada de volta. Fora isso, é a própria figura física deles que não se ajusta ao figurino de sua nova classe social. Numa festa da empresa do marido, Carmen ouve sem querer colegas dele cochichando sobre a gordura dos dois, descrevendo-os como dois “fugitivos de uma exposição de Botero” – artista colombiano que, inclusive, Carmen só vai descobrir quem é pela internet.
 
A dieta torna-se uma urgência para Carmen, levando-a a convencer o marido a acompanhá-la, mesmo relutante, às frenéticas reuniões de uma espécie de “Vigilantes do Peso”. No processo, as posições se invertem e é ele quem se entusiasma bem mais pelo emagrecimento, descobrindo uma nova vaidade, um novo figurino, novos hábitos. E instala-se a crise no casamento feliz entre o par que se chamava entre si de “gordo” e “gorda”.
 
Diretora que estreou em longas de ficção com o ótimo Cinco Dias sem Nora (2008), Mariana Chenillo, que adapta neste roteiro um conto de Julieta Arévalo, tem um olhar fino para as contradições humanas, os relacionamentos amorosos e também as expectativas da classe média, que é retratada em seus dois filmes.
 
Singelo na aparência, Paraíso coloca em questão muito mais do que a obsessão pela boa forma ou os limites da vida familiar e dos papeis sexuais, explorando o que é realmente felicidade ao colocar em xeque as fórmulas socialmente impostas de realização, sucesso e mesmo de emagrecimento, como se pudessem servir indiscriminadamente a todos, só restando aos “desviados da norma” a exclusão.
 
Por sua ternura com os personagens e um humor sutil, Paraíso remete, às vezes, à comédia alemã Sugar Baby (1985), de Percy Adlon – em que a heroína de formas generosas, Marianne Sägebrecht, foi uma precursora da nova musa mexicana, Daniela Rincón. 

Neusa Barbosa


Trailer


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