O melhor lance

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Sinopse

Virgil Oldman é um curador de arte e leiloeiro, reconhecido internacionalmente, que aplica golpes para compor seu milionário acervo pessoal. Quando é chamado por uma reclusa herdeira para catalogar móveis e quadros deixados por seus falecidos pais, Virgil fica obcecado em conhecê-la.


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Crítica Cineweb

16/07/2014

Reconhecido por seu mais estrondoso sucesso, Cinema Paradiso, que lhe rendeu o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1988, o diretor italiano Giuseppe Tornatore é um autor de melodramas. Seja em Malena, Baaria – A Porta do Vento e até mesmo no sofrido A Desconhecida, há um claro pendor para o novelão, com histórias que se arrastam por seus excessos. 

O suspense O Melhor Lance, estrelado pelo ator australiano Geoffrey Rush, a princípio se distancia dessas particularidades. O diretor consegue manejar o mistério que envolve seu personagem, com clara tensão, mas passadas as apresentações do conflito, ele volta a mergulhar o espectador nos elementos que compõem seu cinema.

Aqui, Rush faz o papel de Virgil Oldman, um curador de arte e leiloeiro, reconhecido internacionalmente. Um homem solitário e avesso à vida social (usa luvas para não ter contato com as pessoas), que, secretamente, pratica golpes com seu comparsa Billy (Donald Sutherland): desvaloriza obras de arte para, mais tarde, arrematá-las no próprio leilão e assim engordar seu milionário acervo pessoal (predominantemente retratos femininos).

A fama de Oldman faz com que a misteriosa Claire Ibbetson (Sylvia Hoeks) entre em contato com o leiloeiro. Ela, que possui uma mansão repleta de obras de arte deixada por seus falecidos pais, e deseja que ele catalogue e venda todos os bens do imóvel. Um trabalho convencional para Oldman, se não fosse a reclusão da moça (alegadamente, agorafobia) e peças de um raro autômato que encontra pelo local.

Com a ajuda de seu amigo mecânico Robert (Jim Sturgess), o protagonista começa a montar as peças roubadas da mansão. No entanto, o artefato fica em segundo plano quando Oldman se torna obcecado pela, aparentemente, frágil figura de Claire. Isolada na mansão, vive presa em seu quarto e fala com ele apenas pelo buraco da fechadura.

Aos poucos, Oldman passa a dedicar mais tempo à jovem herdeira, em uma mudança comportamental extrema. Aconselha-se com Robert sobre a melhor forma de se aproximar das mulheres, compra roupas e joias, monta um jantar na mansão para que ela saia do quarto que a isola do mundo. Enfim, um apaixonado que vê em Clair a primeira mulher de sua vida. E acaba sendo correspondido.

Porém, há segredos a serem desvendados até o final desta história em que Tornatore teima em carregar nas tintas, trazendo obviedades, reiterando o que já foi percebido. A potencial tensão do início da projeção chega minguada ao fim, acabando com o efeito-surpresa, apesar do esforço de Geoffrey Rush, que está impecável em todas as cenas (literalmente).

Tornatore, cuja capacidade e competência sempre pareceu maior do que as produções que fez nas última décadas, tornou-se um daqueles diretores tachados, negativamente, como noveleiro. Apesar do sucesso em seu país, tem recebido duras críticas internacionais por não sair de sua zona de conforto. O Melhor Lance era, aparentemente, algo novo (como A Desconhecida também o seria), mas que não conseguiu fugir à seu própria regra. 

Rodrigo Zavala


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