Aviões 2 - Herois do Fogo ao Resgate

Aviões 2 - Herois do Fogo ao Resgate

Ficha técnica

  • Nome: Aviões 2 - Herois do Fogo ao Resgate
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2014
  • Gênero: Animação
  • Duração: 83 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Roberts Gannaway
  • Elenco:

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País


Sinopse

O aviãozinho Dusty vê-se obrigado a deixar de lado as corridas e vira um bombeiro voluntário, descobrindo uma série de desafios.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

16/07/2014

Carros (2006) pode não ser o título mais aclamado da Pixar, mas é, com certeza, um dos mais populares do famoso estúdio de animação que pertence à Disney. O filme arrecadou US$ 461 milhões – que convertidos, dariam R$ 1,06 bilhão – e ganhou a sequência Carros 2 (2011), que, apesar da modesta bilheteria de US$ 191 milhões – R$ 441 milhões – nos Estados Unidos, conquistou US$ 560 milhões – R$ 1,29 bilhão – pelo mundo e muitas outras cifras, graças às vendas de produtos em merchandising. Não é a toa que um terceiro filme foi anunciado, ainda sem data de estreia prevista, meses atrás.
 
Também não é difícil imaginar as motivações da Disney ao preencher este hiato da agora trilogia original. Assim surgiu Aviões (2013), filme derivado de Carros que repete a ação dos veículos automotores, só que no céu e sem a mesma inventividade e graça das produções em que se inspirou. E mesmo antes de seu lançamento, sua sequência, Aviões 2 – Heróis do Fogo ao Resgate (2014), já estava confirmada. Uma prova do quanto apostaram no potencial que a marca poderia alçar com a franquia.
 
O problema é que parece não ter investido energia bastante no desenvolvimento da história. O primeiro longa dava a impressão de estar em “piloto automático”, apenas reproduzindo o que havia sido feito pela turma de Relâmpago McQueen em Radiator Springs e o que foi visto antes em várias animações, com a história do monomotor pulverizador de Propwash Junction que deseja ser algo a mais, no caso, um avião de corridas.
 
A nova produção segue as mesmas fórmulas dos outros filmes ao mostrar Dusty Voo Rasante (voz de Dane Cook no original e Fernando Mendonça na versão brasileira), agora impossibilitado de seguir naquilo que sabia fazer de melhor, tentando achar um novo sentido para a sua vida.
 
Como no anterior, o protagonista tem de lidar com suas próprias limitações, embora elas estejam mais presentes na aventura recente, já que o desgaste das corridas prejudicou o avião a ponto de impedi-lo de competir em altas velocidades. Por conta de um incidente que causa enquanto estava tentando lidar com isso, Dusty vê-se obrigado a virar um bombeiro voluntário e ajudar o caminhão de combate a incêndio Mayday (Hal Holbrook) a manter a ordem na pequena cidade.
 
Ele vai então procurar treinamento com o grupo de resgate e combate ao fogo do Parque Nacional Piston Peak, onde tem de provar ao durão helicóptero Blade Ranger (Ed Harris) – repetindo a figura do “rígido mestre” comum nos longas da franquia – que é capaz de tal tarefa. Para isso, deverá ajudá-los a manter o lugar a salvo do fogo e da cobiça do gerente do parque (John Michael Higgins/Guto Nejaim), um luxuoso SUV que prioriza os ganhos do resort instalado no local muito mais do que a natureza abrigada naquele espaço.
 
Além de apresentar um vilão bem fraco, o mediano roteiro de Jeffrey M. Howard, responsável pelo script do primeiro filme, entrega piadas baseadas em trocadilhos com acessórios automotivos e coisas do gênero, que são dignas daquele “tiozão” da família que pergunta “é pavê ou pacomê?”. Enquanto isso, a versão brasileira não só traduz e adapta o texto para a cultura local, como é de costume – aludindo a novelas nacionais, por exemplo –, mas vai mais longe, fazendo referências completamente atuais, citando duas ou três vezes a letra de “Beijinho no Ombro”, de Valesca Popozuda, e a icônica frase de outro grande pensador contemporâneo, Compadre Washington. Junto com esse jeitinho brasileiro, a dublagem de Tatá Werneck como Dipper (Julie Bowen no original), a hidroavião do grupo de resgate que é uma fã de Dusty um pouco obsessiva, deve arrancar risadas da plateia.
 
Com boas sequências de ação, mesmo com um 3D irregular, que funciona em algumas cenas e se mostra desnecessário em outras, o filme acerta em sair da lógica da corrida tão presente na franquia e focar em um ambiente mais restrito. Na homenagem feita aos bombeiros e na exaltação aos parques nacionais – a produção teve o apoio do corpo de bombeiros da Califórnia, estado norte-americano onde grandes incêndios são comuns, e da direção do famoso parque de Yellowstone –, o longa enaltece o heroísmo advindo do altruísmo frente a desejos mais egocêntricos. E ainda coloca um discurso ecológico de forma instrutiva para as crianças, sem ser didaticamente chato – mesmo que soe um tanto piegas em alguns momentos para os espectadores adultos.
 
Trata-se do primeiro trabalho para o cinema de Roberts “Bobs” Gannaway, diretor de produções Disney para a TV ou home vídeo. Talvez o caminho mais correto para estas aventuras aéreas fosse realmente ir direto para DVD, como era a intenção com o primeiro Aviões, mas a sequência, ao que parece, conseguirá dar sobrevida à trilogia spin-off – sim, um terceiro longa deles também está confirmado – no cinema. Entretanto, mesmo ligeiramente melhor do que o seu antecessor, Aviões 2 ainda não alça voos como o filme que originou a franquia, muito menos os de outros clássicos da Pixar.
 
Apesar de cumprir a função de entreter as crianças, a falta de uma história mais rica, capaz de fisgar os espectadores das mais diversas faixas etárias, é sentida aqui. Culpa da própria Pixar e dos outros estúdios que correram atrás e também produziram excelentes animações nos últimos anos, acostumando mal o público, não mais tão interessado em tramas bem simples como esta.

Nayara Reynaud


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