O Teorema Zero

O Teorema Zero

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Locais de filmagem


Sinopse

Especializado em arquitetura de informação, o solitário e apático Qohen Leth é chamado para um experimento secreto criado pela misteriosa figura Administração, com o qual pretende descobrir o sentido da vida.


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Crítica Cineweb

09/07/2014

Chega a ser curioso que o cineasta Terry Gilliam, único integrante americano da trupe de comediantes britânicos Monty Python, volte a buscar as razões da existência 30 anos depois do clássico O Sentido da Vida, que co-dirigiu e estrelou em 1983 e volta ao cartaz em São Paulo também nesta quinta (10). Mas seu novo filme, O Teorema Zero, tem muito mais a ver com sua expressiva carreira solo do que com o humor escrachado do grupo que o tornou conhecido.

Responsável pelos cultuados Brazil – O Filme (1985), Os Doze Macacos (1995) e Medo e Delírio em Las Vegas (1998), Gilliam surpreende como autor visual, muitas vezes exagerado e tendendo a bizarrices, sem perder o senso de ritmo ou uma sólida narrativa. Qualidades, enfim, que demonstrou de seus trabalhos no Python a O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (2009), mas vem apurando durante as últimas décadas.

Nesta nova empreitada, estrelada por Christoph Waltz (Bastardos Inglórios) e Matt Damon (uma participação especial, na verdade), ele volta a situar o espectador em um futuro estilizado, de uma modernidade retrô. Embora reflita sobre a tecnologia e a era da internet nas relações humanas, o ponto máximo de Gilliam aqui é a informação.

Na história, Qohen Leth (Waltz) é um especialista em arquitetura de informação, cujo trabalho incessante é construir e descontruir as bases em que ela se agrupa, contratado pela figura misteriosa da Administração (Damon). Afogado em algoritmos, é apático, recluso e sua única preocupação é atender a um telefonema que, mais tarde entende-se, lhe explicará o seu propósito de vida.

Diferentemente das personagens de seu cotidiano, como o supervisor (David Thewlis) ou a terapeuta (Tilda Swinton), Qohen Leth é reservado e beira a insanidade. Fala em terceira pessoa, usando “nós” em vez de “eu”, quer trabalhar em casa (uma antiga abadia, em mais um dos símbolos que Gilliam deixa pelo caminho) para atender a tal ligação e é avesso a qualquer contato humano.

Por sua exponencial aptidão ao trabalho e seu estilo de vida, a Administração o convoca para um experimento, cujo resultado é responder à última questão: o próprio sentido da vida. Para ajudá-lo na iniciativa, ainda que de forma um tanto invasiva, a Administração envia uma garota de programa (Mélanie Thierry), que faz as vezes do interesse amoroso de Leth, e o jovem gênio (Lucas Hedges), o próprio filho da Administração.

No caminho para encontrar a resposta, o vazio do protagonista funciona como um catalisador das reflexões colocadas por Gilliam, que ele mesmo diz não conseguir responder sobre a vida moderna, a tecnologia e como a inteligência coletiva (no fim, a grande base de dados da Administração) serve a um propósito maior.   

Questões compartilhadas pela equipe e elenco (excepcionais), que trabalharam com baixo orçamento e prazo apertado de filmagens (dois meses), em Bucareste (Romênia). Com grande destaque para Christoph Waltz que se despe (literalmente) para seu personagem com muita sobriedade.

Pode-se dizer que talvez Terry Gilliam não seja um cineasta para grandes massas por sua liberdade de imaginação e excentricidades, que vão ao limite da maluquice. Mas há qualidades superlativas em seu cinema, que o fazem tão cultuado e buscar, ele mesmo como autor, um sentido de vida.

Rodrigo Zavala


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