Monty Python e o Sentido da Vida

Monty Python e o Sentido da Vida

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Sinopse

No filme, o grupo tenta, de maneira irônica, responder à famosa questão existencial sobre qual o sentido da vida através de esquetes que exploram os vários estágios da mesma, desde o nascimento até a morte e mais além.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

09/07/2014

A novíssima cópia restaurada em DCP deste que foi o último longa do grupo britânico Monty Python é apenas uma das joias deste ótimo relançamento. Muito melhor é constatar a atualidade de vários temas da anárquica e corrosiva trupe, que, 30 anos atrás, demonstrava um despudor de que a maioria dos humoristas de hoje não passa nem perto.
 
Abrindo a sessão, apresenta-se um “curta” – como esses do cinema de antigamente – representando um tremendo motim dos velhinhos funcionários de uma seguradora, que estão sendo demitidos pelos novos executivos, medindo seu tempo de serviço, relógio na mão. Muito apropriadamente, os velhinhos armam-se do material do escritório, promovendo uma guerra aos novos, num cenário que logo se transforma num navio-pirata – uma metáfora mais do que adequada, além de atual, para retratar a selvageria das práticas do mercado financeiro e da vida corporativa.
 
Eventualmente, o “curta” invadirá o longa, formado de episódios, retratando, em várias fases da vida humana, a procura de seu sentido – a questão filosófica primordial da espécie. Para armar a história, esquetes se sucedem, abordando religião, política, convenções sociais, em impagáveis sequências: como o casal católico que, impedido de usar métodos anticoncepcionais, acumula centenas de filhos, que agora serão vendidos para experiências médicas; guerras coloniais, em que os oficiais ingleses ficam se barbeando ou tomando chá enquanto os soldados se matam; turistas de meia-idade num incrível restaurante temático (como uma prisão medieval), em que um garçom traz um cardápio de sugestões de conversa; a incrível lição de sexo ao vivo na escola média; a visita da Morte; e os mais visualmente atrevidos (até agressivos, sem dúvida), o do transplante de vivos e o vomitador no restaurante fino.
 
Não é o humor que se tornou mais popular recentemente, infame e recorrendo a baixarias esquemáticas. Aproveitar a ironia sempre impiedosa dos Pythons requer um pouco de reflexão - cínica - sobre a vida que levamos. Muito legais também as brincadeiras com a própria estrutura do filme, discutindo o “meio do filme” e sua conclusão de maneira impagável. 

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança