Meninos de Kichute

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País


Sinopse

Beto é um garoto que queria ser goleiro, mas é impedido pelo pai.


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Crítica Cineweb

29/05/2014

O efeito nostálgico do filme já se revela pelo título. O kichute foi um tênis com características de chuteira lançado pela Alpargatas – responsável por outros calçados famosos daquele período, como o conga e o bamba – durante a Copa do Mundo de 1970. Ele foi um sucesso de vendas por 20 anos, justamente por sua versatilidade, sendo usado tanto na escola quanto nas “peladas”, como é mostrado no longa com o grupo de garotos, liderado por Beto (Lucas Alexandre), que monta um clube de futebol na rua, sob a alcunha “Meninos de Kichute”. Em determinado momento da história, ele até explica para sua vizinha e amiga, Dona Leonor (Arlete Salles), os dois jeitos usados para amarrar os longos cadarços do icônico tênis: enrolando na canela ou passando por baixo da sola.
 
A escolha de Piracaia, cidade do interior paulista, também ajuda na ambientação da história, ocorrida em um bairro operário da Londrina da época. A direção de arte de Leandro Vilar e o figurino de Joana Gatis também transmitem a aura setentista cotidiana, não aquela da era disco, como muitos imaginam o período. Outro ganho é a trilha sonora, contando com, por exemplo, Lindomar Castilho, Secos & Molhados e três músicas do grupo Os Incríveis. A abertura ao som de Eu Te Amo Meu Brasil já contextualiza, logo no início, o patriotismo exaltado pela ditadura militar naquele momento.
 
Lázaro (Werner Schünemann), padre da igreja local, que considera a prática do futebol um pecado, carece de certa complexidade, o que se repete na composição de alguns personagens. Mesmo assim, é uma história que deve agradar o público, com seu estilo “filme família”.
 
Os meninos que participaram do filme, aliás, já estão grandes agora. Filmado em 2008 e premiado pelo público da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2010, o longa só foi lançado neste ano, por causa de dificuldades de captação para distribuição e da ideia de que lançar a produção nesta época de Copa do Mundo garantiria mais público. Obviamente, quatro anos atrás, não era esperado um clima tão turbulento durante a realização no Brasil do maior evento do esporte mais praticado pelo próprio país.
é preciso lembrar que chutar uma bola continua a ser uma das brincadeiras mais comuns entre as crianças do país, mesmo com todo o aparato tecnológico em torno delas atualmente. Meninos de Kichute reforça justamente essa imagem do futebol: antes da competição, do marketing esportivo e da sua utilização política, ele é uma diversão.

Nayara Reynaud


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