Tim Lopes – Histórias de Arcanjo

Tim Lopes – Histórias de Arcanjo

Ficha tcnica

  • Nome: Tim Lopes – Histórias de Arcanjo
  • Nome Original: Tim Lopes – Histórias de Arcanjo
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produo: 2013
  • Gnero: Documentário
  • Durao: 86 min
  • Classificao: 14 anos
  • Direo: Guilherme Azevedo
  • Elenco:

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Sinopse

Documentário sobre o jornalista Tim Lopes, morto por traficantes em 2002, quando fazia uma reportagem investigativa na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro. Roteirizado e conduzido por Bruno Quintella, filho de Tim, o filme relembra a trajetória profissional do repórter através de depoimentos de seus colegas de trabalho.


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Crtica Cineweb

29/05/2014

A população está em festa. É época de Copa do Mundo e a seleção do país do futebol começa a disputa com o pé direito, vencendo a Turquia. Nos jornais e noticiários de rádio e TV, entre a cobertura do evento esportivo, surge uma notícia bem diferente do clima de felicidade futebolística: o desaparecimento em trabalho de um repórter investigativo.

A Copa do Mundo era a de 2002, disputada no Japão e na Coreia do Sul, aquela em que o Brasil, da seleção em questão, conquistaria o pentacampeonato. Mesmo país onde o jornalista Tim Lopes, desaparecido na noite de 2 de junho, foi capturado, torturado e morto pelos traficantes enquanto investigava uma suposta denúncia de moradores sobre um baile funk na Vila Cruzeiro, Rio de Janeiro, no qual haveria prostituição e consumo livre de drogas. As imagens do Jornal Nacional, da TV Globo – telejornal para o qual produzia a reportagem –, daqueles primeiros dias de junho, contextualizam, já de início, o documentário Tim Lopes - Histórias de Arcanjo (2013).

Primeira experiência na direção de Guilherme Azevedo, diretor de fotografia de outros filmes documentais, o longa conta com o roteiro de Bruno Quintella, filho de Tim Lopes e também jornalista. A busca dele pela história do pai, uma década depois de sua morte, é o fio condutor da narrativa, além de fazer dele próprio um personagem do filme.

Com tal força motriz e um título que remete ao nome de batismo do repórter, Arcanjo Antônio Lopes do Nascimento, seria esperada uma abordagem pessoal do personagem retratado. Entretanto, a vida familiar dele não tem tanto destaque assim. A viúva dá um rápido depoimento no segmento inicial. A mãe e os vários irmãos de Tim relembram sua infância no Rio Grande do Sul, durante a parte final da produção. E, mesmo sendo uma jornada do filho nos lugares e com as pessoas que fizeram parte da trajetória de seu pai, é só no final que ganha destaque a figura paterna e sua relação com Bruno, através das fotos de família.

O documentário, então, centra-se no profissional Tim, o que pode ser percebido até nas imagens e vídeos de arquivo utilizadas no decorrer do longa, pontuando as entrevistas de várias pessoas que trabalharam com ele ou foram retratadas em suas matérias. Elas descrevem o jeito brincalhão dele e as histórias por trás das reportagens que fez - como uma em que ficou dias trabalhando nas obras de construção do metrô do Rio ou a em que se passou por morador de rua, convivendo com várias crianças na mesma situação.

Existem imagens de arquivo de matérias especiais dele na TV Globo, na época em que não tinha adentrado tanto no mundo policial e ainda aparecia na frente das câmeras. Mas o foco maior da produção é na fase dele no jornalismo impresso, com constantes inserts de recortes das reportagens nos jornais O Repórter, Jornal do Brasil, O Globo e O Dia, destacando o texto do jornalista, sempre em primeira pessoa, já que fazia algo como um “jornalismo gonzo investigativo”. Há certo excesso na utilização desse recurso, o que contribui para o ritmo irregular da narrativa.

Além disso, antes de mergulhar nessas histórias profissionais, o filho remexe em questões da morte do pai, como o inquérito da polícia civil que culpou o próprio Tim Lopes pelo seu assassinato. Na época, o investigador Daniel Gomes afirmou que o jornalista se expôs ao perigo ao receber o Prêmio Esso em 2001, pela reportagem “Feira das Drogas”, que prejudicou o tráfico carioca, pois isso teria tornado sua figura pública, fazendo-o ser reconhecido na Vila Cruzeiro enquanto produzia outra matéria.

Como etapa na superação do luto, uma das razões declaradas desta produção, Bruno relembra o quanto já teve que ouvir, durante a faculdade, que a conduta do pai jornalista não foi correta. Ele, então, conversa com Gomes e o investigador faz uma espécie de mea culpa. Daí em diante, os questionamentos sobre os métodos utilizados por Tim Lopes são deixados de lado e a exaltação de sua pessoa e de sua carreira dão o tom. Algo previsível em um filme familiar.

Se a relação dos realizadores com o objeto do longa não fosse tão pessoal, não seria desperdiçada a oportunidade de debater não apenas o trabalho do repórter em questão, mas o do jornalismo investigativo em geral, como seus limites éticos, o uso de câmeras escondidas – muito utilizadas por Lopes, como fica claro logo nas primeiras imagens do filme –, os riscos para os denunciados, denunciantes e próprios jornalistas, por exemplo. Mesmo assim, sem aprofundar o tema, é inevitável não discuti-lo após a exibição do longa. Por isso, o filme, que ganhou o prêmio de Melhor Documentário no Festival do Rio 2013 e de Melhor Filme Estrangeiro no San Diego Black Film Festival, se faz tão importante para profissionais, professores, estudantes e interessados na área do jornalismo e deveria entrar na pauta das conversas nas redações, salas de aula ou posts de redes sociais, mesmo passados 12 anos da morte do repórter.

Nayara Reynaud


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