Antes do inverno

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Sinopse

Paul vive um casamento aparentemente perfeito com Lucie. Quando ele passa a receber flores de uma admiradora secreta, o casal enfrenta uma crise que revela sentimentos aprisionados pelo tempo.


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Crítica Cineweb

26/05/2014

Paul (Daniel Auteuil) é um renomado neurocirurgião francês que norteou sua vida à construção de sua carreira. Lucie (Kristin Scott Thomas) dedica seus dias ao celebrado e estonteante jardim, que cuida com afinco. Juntos foram um casal sexagenário que, à vista de seus amigos, familiares e a si próprios, parece perfeito.

No entanto, o diretor de Antes do Inverno, o cineasta e escritor francês Philippe Claudel, do excelente Há tanto Tempo que te Amo (2008), é um observador atento aos conflitos interiores de seus personagens e mostra, com muita elegância, que sentimentos guardados esperam apenas uma oportunidade para se revelarem.

A chance aparece quando Paul começa a receber buquês de rosas vermelhas em casa, no trabalho e na universidade onde leciona. Com remetente anônimo, as flores falam por si: para ele, uma piada sem graça; para Lucie, uma admiradora desconcertante, que ridiculariza décadas de casamento.

Com o passar dos dias e suas dúzias de rosas, ele passa do nervosismo habitual à obsessiva crença que a atendente de uma cafeteria, Lou (Leïla Bekhti), é a responsável pelo envio. Afinal, ela estranhamente aparece em todos os lugares que frequenta, incluindo aí, um concerto de música clássica para endinheirados.

As flores e o comportamento errático de Paul geram ainda mais desconfiança em Lucie, que acaba por fazer do amigo do casal, Gérard (Richard Berry) seu confidente. Porém, a relação entre os dois, nebulosíssima desde o início do filme, mostra que há mistérios ainda maiores a serem desvendados nesse casamento.

No trabalho intimista de Claudel, de extrair as camadas do aparentemente perfeito relacionamento de Paul e Lucie, é possível ver o cuidado com que filma esta história. Apoiado também por um grande elenco, em que seria injusto não mencionar a eloquente participação da atriz francesa Laure Killing, no papel da problemática irmã de Lucie.

No roteiro bem acabado, sobram diálogos simplesmente memoráveis, que Claudel tece com muita sensibilidade. Como a paciente idosa de Paul que, antes de passar por uma cirurgia para retirar um tumor no cérebro, pede a ele para memorizar o nome de seus irmãos falecidos, caso ela perca sua memória. Um belo trabalho.

Rodrigo Zavala


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