Hotel Mekong

Ficha tcnica

  • Nome: Hotel Mekong
  • Nome Original: Hotel Mekong
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Inglaterra
  • Ano de produo: 2012
  • Gnero: Documentário
  • Durao: 61 min
  • Classificao: Livre
  • Direo: Apichatpong Weerasethakul
  • Elenco:

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Sinopse

Um hotel e as histórias que seus cômodos e corredores guardam. Ao lado do Rio Mekong, a construção é o palco para esse filme híbrido de Apichatpong Weerasethakul, que combina fato e ficção.


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Crtica Cineweb

12/05/2014

Um dos maiores rios do mundo, tanto em extensão quanto em volume, é o Mekong, que cruza o Sudeste Asiático, passando por seis países, entre eles a Tailândia do cineasta Apichatpong Weerasethakul, abastecendo, entre seus altos e baixos, a população local, mas também a arrasando no período de enchentes. Com tamanha importância, não é de se espantar que o rio seja citado algumas vezes na filmografia de um diretor tão reconhecido por valorizar as tradições e costumes do seu povo. Mas o responsável pelos cults “Mal dos Trópicos” (2004) e “Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas” (2010), ganhador da Palma de Ouro, resolveu dar mais destaque a ele quando voltou a Cannes, em 2012, com um longa no qual o rio Mekong é o protagonista.


“Hotel Mekong” (2012) não destaca apenas o curso d’água como também se deixa influenciar por ele, já que Apichatpong faz jorrar pela tela um fluxo de suas ideias, por um leito tortuoso e, às vezes, desconhecido. É esta a sensação que se tem ao assistir a este filme-ensaio de 61 minutos de duração. Parece exagero falando de um diretor que já filmou uma princesa tendo orgasmos com um bagre falante, mas trata-se do trabalho mais experimental de “Joe” – apelido do cineasta no Ocidente –, não por cenas específicas, mas por sua forma totalmente desconstruída: um pouco de documentário, outro tanto de ficção, mas muita coisa difícil de definir entre isso, em uma estética que se assemelha a gravações caseiras.


No início, o tom é documental, com imagens do rio Makong vistas da varanda do hotel do título, onde Weerasethakul está ao lado do músico Chai Bhatana, que diz tocar seu violão no estilo espanhol, enquanto mostra a música que compôs. E assim, a melodia, algo entre uma canção de ninar e um blues, vai fluindo e pontuando toda a produção, igual ao plano das escavadeiras alargando as margens do rio para evitar inundações, com o intuito de reforçar o caráter documentarista da obra.

As enchentes de 2011 que devastaram a região, aliás, são abordadas em uma das muitas conversas informais retratadas. Da conturbada relação Tailândia-Laos – assunto recorrente em seus trabalhos – ao culto às celebridades, é traçado um paralelo entre o risco da globalização para a cultura local e o perigo da “civilização” para a natureza. O improviso e a naturalidade que o diretor impõe nessas cenas, no entanto, as torna ambíguas, no sentido em que não se pode afirmar se é um bate-papo entre os atores e/ou os personagens.

Isso porque a ficção está no cerne desta obra, que foi construída a partir de ensaios, realizados no Hotel Mekong, de um roteiro não filmado de Apichatpong, chamado Ecstasy Garden. O script era sobre a relação de uma filha, humana, com sua mãe, uma espécie de fantasma-vampira-canibal, figura na qual “Joe” se apropriou, como de costume, do folclore tailandês sobre o fantasma Pob, que ao possuir alguém, faz com que esta pessoa fique faminta por carne crua e sangue. Do enredo original, não sobra muito na narrativa fragmentada de “Hotel Mekong”, sobressaindo disso mais a metáfora sobre o lado animal e destrutivo que existe em todos os humanos do que a história de Pob se apoderando dos hóspedes do local.

Aliás, a escolha do hotel, um lugar onde as pessoas estão sempre em trânsito, como cenário desta experiência audiovisual vem de encontro com o pensamento que o cineasta imprime em sua obra sobre a transitoriedade dos corpos e da vida. Em certo momento, por exemplo, um personagem fala que poderá voltar a Terra como um animal e reencarnará muitas vezes, mas não sabe quando voltará a ser humano de novo.

O cinema de Apichatpong Weerasethakul exige que o espectador embarque na viagem sensorial dele e com este filme não é diferente. Mas como os jet skis nas águas do rio, no longo plano final, quem embarcar estará livre para fazer seu próprio caminho de sensações, reflexões e divagações sobre “Hotel Mekong”.

Nayara Reynaud


Trailer


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