Redemoinho (1)

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Crítica Cineweb

06/03/2003

Como pode um peixe vivo viver fora da água fria? Essa é apenas umas das questões que levanta o desconexo roteiro do canadense Redemoinho, de Denis Villeneuve. A idéia é a de que um peixe conte uma história, enquanto aguarda um opulento açougueiro o degolar, sob uma mesa de corte, localizada num ambiente sinistro e asqueroso. Em princípio, o formato aguça a curiosidade e o intuito é descobrir qual a importância desse curioso animal na trama.

O filme chega ao final e a questão nos volta a mente: quem era esse infeliz desse ser aquático? As coisas se complicam mais porque não é sempre o mesmo bicho que fala. A cada morte, o asqueroso açougueiro tira do balde, que mantém ao seu lado, mais um peixe, exatamente igual ao recém-finado. À primeira dessa substituição, o espectador percebe que não se trata de um animal importante, mas de uma figura simbólica aparentemente relevante. Surrealismo é aceitável, afinal há a licença poética.

No entanto, apenas abstrações estapafúrdias podem traduzir uma possível ligação entre a vida de Bibiane Champagne (Marie-Josee Croze) e o fundo do mar. Dona de uma butique em Quebec, Bibi é bonita e bem-nascida mas não parece muito contente com a forma com que conduziu seus 25 anos de vida. Depois de uma bebedeira numa festa, a garota acaba atropelando e matando um pescador. Castigada pela culpa, ela vai ao crematório e acaba conhecendo o filho do morto, Evian (Jean-Nicholas Verreault), por quem acaba se apaixonando.

O filme concentra duas ações independentes: a vida da protagonista e o trágico fim dos narradores. A freqüência com que uma intervém na outra é bem maior na primeira metade do que no restante do filme, que se transforma num romance existencial bem convencional. O aspecto trash das seqüências peixe-açougueiro ajudam a alimentar uma sensação ainda maior de desconexão. A fixação inexplicada por peixes vai se tornando cansativa, uma vez que, não contente em usá-los como narrador, o diretor ainda os insere em cenas como a de um peixe sendo atropelado. A inexistência de um elo, por menor que seja, transforma o filme em uma história sem guelras nem cabeça.

Cineweb-29/3/2002

Luara Oliveira


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