Júlio Sumiu

Ficha técnica


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Sinopse

Quando o filho de Edna desaparece, ela entra em desespero. Ela acha que o rapaz foi sequestrado por traficantes e acaba se envolvendo com o tráfico de drogas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

14/04/2014

Roberto Berliner, diretor de Júlio Sumiu, deve muito a Lília Cabral – sem ela, o filme seria praticamente insuportável, em seu humor dissolvido e truncado, que nunca parece encontrar o tempo certo para suas tentativas de piada. A atriz, porém, com seu carisma, belos olhos azuis e sorriso largo, transforma uma personagem chata e tola numa mulher real, com quem se pode simpatizar e eventualmente até divertir.
 
A atriz interpreta Edna, mãe suburbana e amorosa, cujo filho Júlio (Pedro Nercessian) some sem deixar qualquer pista. Baseado num romance de Beto Silva (da trupe Casseta & Planeta), trata-se de uma comédia de erros que se avolumam por conta do zelo (às vezes excessivo, mas no caso justificado) da protagonista. Quando procura a polícia, ela percebe que pouco será feito. Decide, então, tomar as rédeas da investigação, deixando de lado o marido meio pamonha, Eustáquio (Dudu Sandroni), militar reformado, e o outro filho, Silvio (Fiuk), cuja vida se resume a fumar maconha.
 
Morando ao lado de um morro, Edna resolve subir em busca de Tião Demônio (Leandro Firmino), traficante que teria sequestrado seu Julio. No entanto, pega no meio de um tiroteio, é obrigada a levar para casa sacolas com drogas e esconder – essa troca é o que garantiria a segurança do sequestrado. Uma série de confusões obrigam a ela e a Silvio a transformarem seu pequeno apartamento de classe média num ponto de venda de drogas.
 
Na outra ponta da trama, estão o investigador J. Rui (Augusto Madeira) que tenta ter um caso com a secretária da delegacia, Madá (Carolina Dieckmann), também cobiçada pelo delegado corrupto (Stepan Nercessian).
 
Premiado documentarista, que tem no currículo filmes como Herbert de Perto e A pessoa é para o que nasce, Berliner estreia na ficção com Júlio sumiu. Ele é esforçado, a direção dá espaço para os atores explorarem o potencial cômico de seus personagens e da trama, mas nem sempre isso funciona – parece que as piadas perdem o seu tempo antes mesmo de chegarem à conclusão.
 
É, claro, uma trama de absurdos, sem qualquer compromisso com a veracidade – a graça está (ou estaria) exatamente nos exageros e improbabilidades. Mas, em alguns momentos, a ênfase na implausibilidade é tamanha, que só falta surgir um letreiro avisando: “Estamos exagerando para sermos engraçados”. Isto sim não tem a menor graça.

Alysson Oliveira


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