Minutos atrás

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Sinopse

Três amigos iniciam uma viagem sem destino certo, mas sempre no limite de chegarem ao fim dela. No caminho, abordam questões filosóficas e do dia a dia.


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Crítica Cineweb

18/03/2014

“Pra quem sonha, o impossível é só mais uma das infinitas possibilidades”. Este é apenas um dos vários pensamentos que permeiam o onírico Minutos Atrás (2013), filme de Caio Sóh, que traz para as telas a sua peça homônima de 2003, grande vencedora do XIV Festival de Teatro do Rio, em 2007.
 
E a frase em questão saiu da boca do cavalo Ruminante (Paulinho Moska). Isso mesmo: ora um animal de fato, ora o músico e compositor dão vida ao equino no universo mágico criado por Caio, diretor e também roteirista do longa, que é uma fábula sobre a vida e a morte, e tudo que há entre uma e outra. Construída alegoricamente, a narrativa acompanha a jornada dos amigos Alonso (Vladimir Brichta) e Nildo (Otávio Muller) que viajam por uma estrada sem um destino certo, mas sempre no limite de chegarem ao fim dela. É Ruminante quem guia a carroça que os leva por esses caminhos e quem transforma as desventuras deles em música, dando oportunidade à expressão do talento de Moska, responsável pela trilha sonora junto com André Abujamra.
 
Só os três atores dividem a cena e mostram um grande empenho em dar vida ao curioso trio e não abusar da caricatura. Outro destaque é para a fotografia de Rodrigo Alayete, que traz a paisagem em preto e branco de tom bem acinzentado, em contraste com as cores dos personagens e da cenografia – em um trabalho conjunto com a arte da produção –, apesar de não estarem tão saturadas, com exceção do vermelho. Isso só muda nas passagens de tempo, cujas imagens estão em cores, e na cena final, em que algo ou alguém perde a cor em um uso narrativo e perspicaz do P&B.
 
E além da fábula, a produção também flerta com a literatura de cordel e até com a linguagem circense. Nildo, por exemplo, é um personagem que é, às vezes, uma espécie de bufão na carroça, que evoca um trailer de trupe de circo. Porém, é o tom teatral que predomina, desde a clara divisão em três atos – cada capítulo traz um título referente à morte de cada um dos três personagens, seja ela real, fictícia ou apenas sua iminência – até o texto e estilo de interpretação.
 
O problema é que isso torna o filme pesado e até faz o espectador imaginar como a peça deve ser interessante, ao mesmo tempo em que se pergunta sobre a necessidade de transpô-la para o cinema. De acordo com Sóh, a intenção da adaptação era dar uma visão mais ampla de alguns momentos e lugares, o que não era possível no teatro. Mas, por estar ainda no segundo longa – a estreia cinematográfica do diretor foi no premiado Teus Olhos Meus (2011) –, faltou-lhe um pouco de tato para equilibrar essa balança.
 
Outra questão que pode afastar parte do público é que a obra é extremamente verborrágica ao tratar metafórica e filosoficamente da estrada da vida, seu fim com a chegada da morte e tudo que há no caminho: destino, amor, vaidade, Deus, solidão, beleza, fingimento, fome, amizade, dor, etc. Os diálogos são inusitados e também extensos, mas conseguem ao mesmo tempo chamar a atenção com frases, como “Tá fora de moda olhar pros outros”, que têm a capacidade de fazer o espectador olhar igualmente para “o(s) outro(s)” que vive(m) escondido(s) dentro de si mesmo.
Portanto, citando o próprio filme, quando o pensador Alonso diz que “afeto é não se afetar com o defeito do outro”, é necessário relevar as falhas de Minutos Atrás para poder aproveitar a experiência de reflexão que ele propõe.

Nayara Reynaud


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