Um episódio na vida de um catador de ferro velho

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País


Sinopse

Morador da periferia de uma cidade da Bósnia, Nazif sustenta sua mulher, Senada, e duas filhas, com o dinheiro que consegue catando metais. Um dia, Senada passa mal e se descobre que o bebê que ela esperava morreu. Mas o hospital se recusa a operá-la porque ela não tem dinheiro nem seguro-saúde.


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Crítica Cineweb

17/03/2014

A história por trás de Um episódio na vida de um catador de ferro-velho está impregnada de uma verdade que a melhor ficção não consegue imitar. Os limites entre ficção e realidade, aliás, estão borrados neste que é um docudrama em que os personagens reais reconstituem diante da câmera um dilema recente em suas vidas.
Estamos na localidade bósnia de Poljice, uma comunidade de ciganos. A pobreza é nítida nas casas despojadas e na existência de carros abandonados por toda parte. De partes destes carros é que sobrevivem muitos dos homens ali, como Nazif Mujic, pai de duas filhas, Sandra e Semsa, casado com Senada.
 
Dentro da casa, o bem mais luxuoso é uma velha televisão, cujo sinal é visivelmente precário. Senada cuida da casa e das crianças. Até que um dia fica doente. Ela está grávida do terceiro filho e sente uma dor lancinante, além de sofrer um sangramento. Nazif a leva ao hospital. Descobre-se que o bebê está morto e ela precisa de uma operação urgente. Mas o casal não tem seguro-saúde e o diretor do hospital recusa-se a permitir o atendimento, ainda que todos saibam do risco de vida para a mulher. Para serem atendidos, devem levantar uma alta soma para pagar pelo procedimento.
 
Senada volta para casa e ali permanece, com dores, enquanto o marido percorre associações que imagina que possam ajudá-lo a obter socorro  para a mulher. Alguns tentam, mas os médicos são inflexíveis, ainda que seja um claro caso de omissão de socorro. Só se desenha uma solução quando o casal decide recorrer a uma tramoia, usando o cartão de seguro da cunhada.
 
O diretor Danis Tanovic (Terra de  Ninguém), que soube do caso através de uma reportagem, imprime ao filme um tom de denúncia das condições de vida dos pobres de seu país, especialmente os ciganos, que ainda por cima sofrem uma discriminação específica. O filme foi feito em apenas nove dias, com um orçamento reduzido (cerca de oito mil euros).
 
Uma das falas mais eloquentes é quando Nazif desabafa com um homem, dizendo que “durante a guerra era melhor” – referindo-se à Guerra dos Bálcãs dos anos 90, na qual ele mesmo lutou por quatro anos. Ele conta ter perdido um irmão, cujo corpo foi entregue à família num saco, em pedaços. Mesmo ex-soldado, Nazif vive sem pensão alguma, numa existência em que a precariedade não lhe permite alimentar sonhos. No máximo, Nazif se contenta de pagar a comida e a luz. E esperar por um futuro melhor para os filhos. 

Neusa Barbosa


Trailer


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