Tudo Sobre Minha Mãe

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 1 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Manuela (Cecilia Roth) é uma enfermeira que vive só com o filho adolescente, Esteban (Eloy Azurin). Um dia, correndo atrás do carro de sua atriz favorita, ele é atropelado e morto. Manuela autoriza a doação de seus órgãos e parte para Barcelona. Busca reencontrar o pai do filho (Toni Canto). Antes, começa a trabalhar no camarim da atriz Huma Rojo (Marisa Paredes) e torna-se amiga de uma jovem freira (Penélope Cruz).


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/01/2003

Deu a lógica: o diretor espanhol Pedro Almodóvar venceu mesmo o Oscar de melhor filme estrangeiro, como todos esperavam, acumulando a estatueta com o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes em 99 e com o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro - todos eles, troféus merecidíssimos. Almodóvar atingiu aqui sua maturidade artística, colocando-se distante dos experimentalismos e da fase mais provocativa e irreverente de seus primeiros filmes, embora continue recorrendo a personagens nada convencionais. Ele procura agora uma platéia mais ampla com uma obra de forte apelo emocional sobre perdas familiares. Vida e morte entrelaçadas, como se uma dependesse da outra para resistir e se fortalecer.

Manuela (Cecilia Roth) é enfermeira em uma unidade de transplantes num hospital de Madri, encarregada de avisar as equipes médicas sobre possíveis doadores de órgãos, cujo sofrimento ela acompanha nas salas de terapia intensiva. É uma tarefa difícil, só compensada pela esperança de ver pessoas também desenganadas encontrarem a chance de uma nova vida. Ela mora com o filho, Esteban (Eloy Azurin), um adolescente que sonha ser escritor e é atormentado pela idéia de conhecer o pai, nunca mencionado por Manuela. Ele sabe que algo difícil ocorreu no passado e levou sua mãe a apagar o marido da memória. Todas as fotos do casal estão rasgadas, sem a figura paterna. Para Manuela é difícil encarar o rapaz e dizer que seu pai é um travesti, que atende pelo nome de Lola (Toni Canto).

Mas a própria Manuela é colocada à prova quando o filho é atropelado e morto no dia de seu aniversário, quando corria atrás do carro de uma atriz consagrada, Huma Rojo (Marisa Paredes), para lhe pedir o autógrafo. A enfermeira terá de decidir rapidamente se autoriza a doação de órgãos do filho. E a preocupação de Almodóvar é mostrar, ao acompanhar a trajetória do coração do rapaz até chegar ao doador, que a vida sempre prevalecerá. E Manuela procura se convencer disso ao observar à distância o homem sair do hospital com o coração de seu filho batendo no peito.

Com a perda de Esteban, Manuela abandona tudo e parte para Barcelona para tentar reencontrar Lola e colocar um ponto final numa história inacabada. Ao perambular pelas ruas de prostituição, ela reencontra o travesti Agrado (Antonia San Juan) que a leva para uma entidade social administrada por freiras que cuidam de imigrantes e suas famílias. Lá ela encontrará Rosa (Penélope Cruz), uma jovem religiosa que pretende levar sua opção pelos pobres às últimas conseqüências e ajudar as vítimas da guerra civil em El Salvador. Através de Rosa, Manuela refaz um inesperado elo com Lola, que continuará sendo uma presença definitiva em sua vida. A esplêndida fotografia do brasileiro Affonso Beato, parceiro de Almodóvar também no seu filme anterior, Carne Trêmula, acentua a intensidade destas delicadas relações femininas.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança