Possessão

Ficha técnica

  • Nome: Possessão
  • Nome Original: Possession
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2002
  • Gênero: Romance
  • Duração: 102 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção:
  • Elenco:

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Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

06/03/2003

Quando os filmes de romance exploram relacionamentos complexos, o sinal para pegar o lenço e começar a se emocionar é dado com a garantia de olhos inchados no final do filme. A amargura, a solidão e a descoberta de um amor arrebatador, que dura uma vida, levaram e ainda vão levar muita gente às salas escuras do cinema.

De fato, parece haver um deleite com o sofrimento de personagens, enquanto se espera um final triunfante, em que o amor seja vitorioso, acima de todas as possibilidades e dificuldades. Vê-los sendo consumidos por suas próprias emoções sacodem o espectador da letargia de sua vida comum e o introduzem em um mundo de sensações inefáveis. Isso, claro, para os mais sensíveis. A banalização desses valores humanos mais puros já foi amplamente propagada pelas comédias românticas de plantão.

No entanto, qual não é a surpresa de ver que a novela da temporada, Possessão, seja dirigida pelo controverso Neil LaBute, mais conhecido pelos seus sombrios retratos de relacionamentos intempestivos e das brutais dinâmicas sexuais em seus filmes Na Companhia de Homens (1997) e Seus Amigos, Seus Vizinhos (1998). Baseada no romance escrito em 1990 por A. S. Byatt, que ganhou o prestigiado prêmio Booker Prize for Literature, sua nova produção é suntuosamente romântica.

Trata-se da história de dois estudiosos, Maud Baily (Gwyneth Paltrow) e Roland Mitchell (Aaron Eckhart), que descobrem uma vulcânica relação entre os poetas vitorianos Christabel LaMotte (Jennifer Ehle), reconhecidamente lésbica, e Randolph Henry Ash (Jeremy Northam), até então, possuidor de um casamento invejável. Na ânsia pela nova descoberta, Roland e Maud caem em uma jornada detetivesca pelos lugares clandestinos dos supostos amantes.

O que não se esperava, exceto por parte dos espectadores, é que eles acabassem por se envolver também, como, por assim dizer, possuídos pelos eróticos fantasmas. E é justamente essas duas histórias paralelas de amor, que compõem o filme. Eles compartilham o mesmo espaço, sem a preocupação com as fronteiras do tempo.

Esse enredo, de cara, surpreende os fãs dos primeiros trabalhos de LaBute, que sentem falta dos personagens misóginos e emocionalmente instáveis. Por outro lado, como a produção é um esqueleto da obra de A. S. Byatt, os poucos espectadores que leram o romance podem reclamar dos saltos dados na história e da pouca atenção dada à era vitoriana, amplamente discutida no livro.

Resta saber agora se os fãs de filmes desse gênero conseguirão se emocionar com o novo trabalho. Se depender das sensíveis atuações de Jennifer Ehle e Jeremy Northam, que interpretam o ardente casal vitoriano, não há como sair descontente do cinema. No entanto, eles não conseguem salvar a performance dos outros atores, muito menos a mediana história de amor, tal como aparece nesta produção.

Cineweb-11/10/2002

Rodrigo Zavala


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