Lunchbox

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

O Mumbai Dabbawallahs é um serviço de entrega de marmitas muito conhecido na Índia. Um dia, um erro nas entregas faz com que Saajan, um solitário viúvo, receba a refeição preparada por Ila, uma dona de casa infeliz no casamento. Os dois começam a se corresponder e criam um mundo de fantasias, trocando mensagens.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

19/02/2014

A primeira coisa a chamar a atenção em Lunchbox, coprodução de Bollywood, é o silêncio. Não há música e dança, como é quase obrigatório em boa parte da cinematografia indiana. Pelo contrário, o tom do filme é intimista, fechando o foco na inusitada relação epistolar entre dois seres solitários na superpovoada Mumbai.
 
Saajan (Irrfan Khan) é um contador viúvo, às vésperas da aposentadoria, que carrega sua rotina repetitiva, entre o escritório amontoado e o transporte sempre lotado. Ila (Nimrat Kaur) é uma dona-de-casa, casada e mãe de um menino, que pouco sai de casa. Sua grande interlocutora é a velha tia, que mora no andar de cima de seu apartamento, com quem ela conversa quase aos gritos, pela janela. Saajan e Ila nunca teriam como se relacionar, exceto por um excepcional incidente.
 
Pegando carona num fenômeno real e até já estudado pela Universidade de Harvard – os “dabbawallahs”, rede de 5.000 entregadores de marmitas de Mumbai -, imagina-se uma troca destas marmitas. A aromática coleção de pratinhos caprichados, elaborados por Ila para um marido que anda desatento, assim, vai parar na mesa de Saajan. Acostumado a uma dieta rotineira, elaborada por um restaurante popular, ele logo percebe indícios de algo fora do comum. O mistério se desenrola quando começa uma ativa troca de cartas, colocadas nessa marmita que vem e vai.
 
Partindo de um ambiente assim prosaico, simples, o roteiro, assinado pelo diretor estreante Ritesh Batra, mantém-se num surpreendente arco emotivo sutil, sem escorregar na pieguice. Delineia seus protagonistas com autenticidade, criando genuína empatia por eles, numa espécie de atualização do romântico Nunca te vi, sempre te amei (87).
 
O alívio cômico é proporcionado pelas conversas com a tia e também por um terceiro elemento, o intrometido Shaikh (Nawazuddin Siddiqui), que está sendo treinado, a contragosto, por Saajan, para substituí-lo quando se aposentar.
 
A simplicidade, aqui, dá-se ao luxo de temperar detalhes sutis, como o fato de que cada um dos três personagens tenha uma religião: Saajan é católico, Ila, hindu, e Saikh, muçulmano, salientando a multiplicidade da nação hindu. Mas o primeiro desafio foi dado de saída, ao imaginar como é a solidão num país tão imenso e superpovoado.
O filme foi destaque na Semana da Crítica de Cannes em 2013 e percorreu vários festivais pelo mundo todo.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 06/10/2014 - 17h19 - Por Felipi Vidal Fraga Ótima crítica. Só encontrei no site de vocês. Acho que só eu vi este filme no cinema. Parabéns pelo ótimo site.
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