Era uma vez em Tóquio

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Sinopse

Shukishi e Romi são um velho casal, que mora numa cidade do interior com a filha caçula, Kyoko. Um dia, decidem ir a Tóquio, que não conhecem, visitar os dois filhos mais velhos que ali moram, Koichi e Shige. Lá chegando, entram em contato com a falta de tempo e disponibilidade deles. Só sua nora viúva, Noriko, os acolhe bem.


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Crtica Cineweb

11/02/2014

Se há uma obra capaz de representar o estilo do delicado cronista da intimidade, da rotina e da família, o diretor japonês Yasujiro Ozu (1903-1963), esta é o drama Era uma vez em Tóquio (1953), provavelmente seu filme mais conhecido.
 
Cada possibilidade de ver ou rever este filme é uma bem-vinda oportunidade de reavaliação de um trabalho que não cessa de ser reavaliado e redescoberto. Como aconteceu recentemente, numa votação da revista Sight & Sound, do British Filme Institute, com críticos de todo o mundo, que o classificaram em terceiro lugar como melhor filme de todos os tempos.
 
A ótica do diretor, aqui também corroteirista, é da simplicidade. Não há, na estética de Ozu nenhum lance espetacular, nenhum movimento de câmera desnecessário – bem ao contrário, sua câmera baixa e parada nos personagens é uma de suas características mais prezadas. Seus personagens, do mesmo modo, são pessoas simples, comuns, sem nenhuma aura de super-herois. Seu cotidiano é do trabalho e da sobrevivência, das relações sentimentais, de família e amizade. Nelas, os contexto histórico e social se infiltram em toques sutis, sem nenhuma ênfase demasiada a fazê-los predominar sobre o conjunto, que se desenvolve em ritmo de vida real.
 
O núcleo de Era uma vez em Tóquio é a família Hirayama, apresentada numa situação que se torna cada vez mais complexa, diante da decisão de um casal de idosos interioranos, Shukishi (Chishu Ryu) e Tomi (Chieko Higashyama), de visitar Tóquio pela primeira vez, lá encontrando seus dois filhos mais velhos, o médico Koichi (So Yamamura) e a cabeleireira Shige (Haruko Sugimura). Fica para trás a caçula Kyoko (Kyoko Kagawa), que cuida deles.
 
Tudo em Tóquio, para o casal, é estranhamento, as estações, a paisagem, os prédios, o trânsito. Mas este natural deslocamento é superado por um outro incômodo, visível, de seus filhos, em mudar sua rotina para acolhê-los.
À medida que os dias passam, fica cada vez mais claro que não há lugar para os pais na vida destes filhos. Eles nunca encontram tempo para ficar com eles, muito menos levá-los para conhecer a capital, onde nunca estiveram. Os interesses do trabalho estão sempre acima deles.
 
Bem diferente é a atitude da nora Noriko (Setsuko Hara), viúva de seu outro filho, que morreu na II Guerra. Apesar de trabalhar como secretária, ela é a única a acompanhá-los num passeio, a encontrar brechas para estar com eles.

A velhice, a solidão, o desamor, a ternura, a paciência, tudo isso e muito mais passa pelo crivo de Ozu, que constrói habilmente em suas cenas formas de expressão da complexidade da vida de um Japão que mudou muito no pós-guerra. O diretor o faz de forma tão ampla e precisa que seu filme continua, 60 anos depois de ser feito, a ecoar em plateias de outros tempos e lugares. É, mais uma vez, o que se espera de um reencontro com este filme luminoso.

Neusa Barbosa


Trailer


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