Nebraska

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Sinopse

Ao receber uma propaganda pelo correio, Woody acredita que ganhou 1 milhão de dólares. Por mais que sua família insista, não consegue convencê-lo de que é um golpe. De tanto insistir, ele consegue levar o filho a acompanhá-lo numa longa viagem.


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Crtica Cineweb

10/02/2014

Se há uma correspondência artística e visual do filme Nebraska, são as fotos da Depressão feitas por Walker Evans. Alexander Payne e Bob Nelson, diretor e roteirista do longa, parecem evocar uma época passada e fazer uma ponte entre as crises do final dos anos de 1920 e a do presente, que assolaram e assolam os EUA. Essas não são apenas financeiras, mas também éticas e morais – num país cuja ascensão econômica não foi acompanhada nessas outras esferas.
 
A figura de Woody Grant (Bruce Dern, premiado em Cannes e indicado ao Oscar de melhor ator) é a última instância da crença e ingenuidade do norte-americano. Ao receber uma propaganda pelo correio, dizendo que ele ganhou 1 milhão de dólares, o protagonista acredita piamente nessa mentira – mero golpe para vender assinatura de revistas. Por mais que sua mulher, Kate (a excelente June Squibb, também indicada como coadjuvante), e seu filho, David (o humorista Will Forte num papel sério), tentem, são incapazes de dissuadi-lo de reclamar seu prêmio, na cidade de Lincoln, a alguns milhares de quilômetros de distância.
 
Se há um senso de nostalgia aqui, e há, ela se evidencia com a jornada do pai e do filho, que, finalmente cede para poder passar mais algumas horas com o pai, um alcoólatra que parece eternamente tentando se recuperar, e agora enfrenta problemas de memória. No meio do caminho, param para visitar os parentes numa pequena cidade do Nebraska, a fictícia Hawthorne - cujo nome evoca um dos primeiros romancistas americanos, autor de A letra escarlate, cujo tema é puritanismo e seus desdobramentos. Essa cidade, então, evoca uma América antiga, profunda, enraizada em seus equívocos, que se recusa a abandonar o passado – e o preto-e-branco da fotografia do filme, assinada por Phedon Papamichael (Os descendentes) evidencia essa nostalgia e apego.
 
A família e conhecidos de Woody – que inclui um irmão num estado mental parecido com o dele, uma cunhada simpática e dois sobrinhos sem perspectiva de futuro, além de um ex-sócio, que deu um golpe – ouvem falar do dinheiro e se tornam cordiais, prestativos. Mágoas e desavenças do passado logo emergem, mas, claro, podem desaparecer desde que Woody seja generoso ao receber o seu milhão.
 
Alexander Payne, até agora, havia trabalhado com roteiros adaptados de romances – como Eleição, As confissões de Schmidt e Sideways - entre umas e outras – exceto por seu primeiro longa Ruth em Questão. E essa origem sempre foi bastante evidente – seja na densidade psicológica, na estrutura narrativa ou na presença de um narrador. Aqui, o diretor deixa tudo isso de lado e confia ainda mais nas imagens, no poder de mostrar, ao invés de contar.
 
O que se passa na cabeça de Woody é um mistério tanto para nós quanto para aqueles que o cercam, uma vez que o filme parece contado do ponto de vista do filho que o acompanha. Ele realmente crê que ganhou esse dinheiro? Talvez seja mais uma manifestação do sonho americano, que, em tempos de crise é mais inatingível e mais desejado – por isso, qualquer um pode, sem questionar, acreditar que foi sorteado e ganhou, do nada, muito dinheiro. A crise econômica do presente, parece dizer Nebraska, acabou com a ilusão da fortuna fácil. Frustrados, só resta aos americanos se refugiarem no consumo.

Alysson Oliveira


Trailer


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