Gloria

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Gloria é uma mulher madura, divorciada, mãe de um casal de filhos adultos. Quando conhece um oficial da marinha reformado, começa a viver um novo amor. A ex-mulher e as filhas dele, no entanto, fazem de tudo para não deixá-lo em paz.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

27/01/2014

Gloria é uma mulher feliz. Às vezes fica triste pela manhã, às vezes, à tarde. É assim que a protagonista do drama chileno Gloria se define quando perguntada se está sempre contente. Dirigido por Sebastián Lelio e coescrito por ele e Gonzalo Maza, o longa é uma crônica da vida dessa mulher de classe média alta, moradora de Santiago, que gosta de cantar junto com as músicas do rádio e também de sair pra dançar.
 
Vivida com sensibilidade e sagacidade por Paulina García – premiada no Festival de Berlim do ano passado por esse trabalho –, a personagem não parece estar à procura de um homem para chamar de seu. Mas também não descarta essa possibilidade quando surge na figura de Rodolfo (Sergio Hernández), oficial da marinha reformado e recém-divorciado, a quem as filhas adultas não dão sossego.
 
Gloria e Rodolfo começam um relacionamento, saem para jantar, conversam, passam a noite juntos, ele a leva ao seu parque de diversões e se divertem. Tudo estaria indo muito bem, não fosse a família dele, que insiste em telefonar nos momentos mais inoportunos, levando-o a deixar sua nova namorada sem qualquer explicação. É a partir dos pequenos fatos da vida, das dinâmicas simples do dia-a-dia que Lelio e Paulina constroem o retrato desse casal.
 
Sem aspirar a uma grande epifania, o diretor e a atriz exploram os pequenos fatos – mais comuns que os grandes – na vida da personagem. Acompanhamos Gloria em suas tarefas, no trabalho, no cabeleireiro, no encontro com amigos, onde cantam “Águas de Março”, na reunião de aniversário do filho. E quando conhecemos o ex-marido da protagonista, constatando que escolher seus companheiros nunca foi seu forte.
 
 Gloria foi uma pessoa que amadureceu na época da ditadura de Augusto Pinochet no Chile (1973-1990), mas isso nunca é dito no filme. Mesmo sem jamais usar a palavra “ditadura”, este é um filme, de certo modo, político. Não sabemos o que a protagonista fez nessa época – se foi opositora, apoiadora, conformista ou apenas tentava sobreviver – mas o que importa é o presente. Nesse sentido, o longa faz um retrato do país no nosso tempo, dos chilenos em busca de lidar com o passado. O fato de o interesse romântico da protagonista ser um militar não é por acaso. É a sociedade civil encarando de frente suas cicatrizes do passado, que, envergonhada, abaixa a cabeça antes de sair despercebida da mesa sem pagar a conta.
 
Talvez o mais especial sobre o filme seja que ele é sobre tudo isso – mas não só. Em última instância, Gloria é sobre a condição humana e a capacidade de sobreviver às pequenas tragédias do cotidiano e às grandes, especialmente as históricas.

Alysson Oliveira


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