Ela vai

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Sinopse

Bettie é uma mulher madura, que vive com a mãe e comanda um restaurante no interior. Quando ela descobre que o amante a deixou, resolve cair na estrada e dar um tempo de tudo. De companhia, leva o neto de 12 anos, que ela mal conhece.


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Crítica Cineweb

17/12/2013

Sem necessidade de provar nada a ninguém, do alto de seus recém-completados 70 anos, a musa francesa Catherine Deneuve pode até dar-se ao luxo de encarnar um papel em que ironize a própria beleza, idade e condição de mito do cinema mundial.
 
É isto que ela faz, com a habitual segurança, na comédia dramática Ela vai, de Emmanuelle Berçot. Catherine defende o papel de Bettie, uma viúva, dona de um restaurante na Bretanha, que acaba de sofrer um abalo amoroso. Seu amante de muitos anos, que sempre recusou deixar a esposa por ela, acaba de fazê-lo, para casar-se com uma jovem que ele engravidou.
 
Não é o único problema de Bettie, cuja inabilidade contábil está comprometendo a sobrevivência do restaurante, que fica na casa em que ela também mora com a mãe, Annie (Claude Gensac). Mas a decepção com o amante prova ser a gota d’água. Um dia, em pleno almoço, ela larga sua vida no ponto em que está e cai na estrada.
Ela nem imaginava ser tão definitiva. A ideia era só afastar-se alguns dias da rotina, para pensar. Mas uma coisa leva a outra e ela cada vez se distancia mais dessa volta para casa. Correndo os quatro cantos da França, ela compartilha algumas agruras de vários perdedores, jovens ou velhos, como ela sofrendo os efeitos da crise econômica na Europa.
 
Mas há uma obrigação que Bettie não pode dispensar: levar seu neto, Charly (Nemo Schiffman), à casa do avô paterno (Gérard Garoueste), já que sua única filha, Muriel (a cantora Camille), com quem ela não se dá muito bem, deve partir por algumas semanas para um estágio profissional.  
 
O roteiro, um tanto atulhado, da diretora Berçot (da comédia Os Infiéis) e Jérôme Tonnerre, alterna vários momentos. Passa do melodrama do início a um conflito de gerações, depois a um filme de estrada, em que avó e neto, que pouco se conhecem, compartilham diversas situações juntos. Mas só pela absoluta ruína financeira de Bettie ela decide ir com o neto a um reencontro de ex-misses, como ela, até porque ali terá comida e hospedagem que no momento não pode custear.
 
Raríssimas vezes Catherine Deneuve se permitiu na tela a fragilidade que assume em alguns trechos deste longo percurso. Ela é vista descabelada, de maquiagem borrada, bêbada, descalça. Tudo isso serve ao retrato de sua crise na maturidade, na qual não faltam menções ao inabalável charme da intérprete de A Bela da Tarde. Como um jovem amante (Paul Hamy) ocasional, que diz que ela “deve ter sido deslumbrante na juventude” e a filha, num acesso de raiva, diz que “até no caixão ela vai estar bonita”. Nada indica o contrário.

Neusa Barbosa


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