São Silvestre

São Silvestre

Ficha técnica

  • Nome: São Silvestre
  • Nome Original: São Silvestre
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2013
  • Gênero: Docudrama
  • Duração: 80 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Lina Chamie
  • Elenco: Fernando Alves Pinto

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País


Sinopse

A corrida de São Silvestre é a maratona mais importante do país. Este documentário faz um retrato sensorial da competição e coloca o ator Fernando Alves Pinto no meio da competição com uma câmera acoplada ao seu rosto e registra suas expressões durante toda a maratona.


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Crítica Cineweb

16/12/2013

Lina Chamie (A Via Láctea) faz um dos documentários mais bonitos e sensoriais do ano em São Silvestre, estreando às vésperas da histórica corrida, realizada na virada do Ano Novo. O filme não tem nada de um documentário convencional; é, acima de tudo, impressionista e uma grande homenagem à cidade de São Paulo, cujas ruas são palcos da competição.
 
Em sua geografia, São Paulo oferece planícies e ladeiras, alívios e obstáculos para corredores do mundo todo. Nessa dinâmica urbana, Lina inscreve sua câmera que captura a beleza e opressão, o verde e o concreto, a Avenida Paulista e o centro velho, os contrastes e paradoxos, as alegrias e melancolias. Mas todos esses cenários são mera moldura para quem está nas ruas correndo.
 
Como num dos longas mais famosos da diretora, A Via Láctea, São Paulo é uma personagem crucial. Mas, se naquele filme a cidade se dissolvia na mente de um homem que estava morrendo, fazendo conexões estranhas entre ruas distantes, caminhos improváveis e impossíveis, aqui é a São Paulo real, aquela que determina os itinerários em suas ruas de mão única e conversões proibidas.
 
Ainda assim, seja antes ou durante a corrida, São Paulo é fragmentada, impossível de ser capturada em sua totalidade. Acontece que a competição também tem esse caráter pós-moderno, por mais que acompanhemos pela televisão, por mais que vejamos mapas, simulações, imagens aéreas, é impossível dar conta do todo, temos de nos contentar com pedaços, segmentos que fazem um retrato aproximado dessa cidade tão paradoxal.
 
Durante a primeira parte do filme, Lina e sua câmera traçam parte do percurso no começo da manhã, com um sol ameno, ruas vazias e a calma de quem pode admirar o que há para se ver.  Um dos momentos mais bonitos está nas imagens do Teatro Municipal, ao som da ópera Sansão e Dalila. Aliás, a música faz parte da formação da diretora e tem papel crucial em seus filmes. Aqui, também estão presentes Mahler (Primeira Sinfonia) e Scriabin (Poema do Êxtase), tocado na reta final do filme, quando os corredores estão perto da linha de chegada.
 
Intercaladas com essas imagens, estão a cidade no seu dia-a-dia num dezembro com chuva, decorações de Natal e pessoas com rumos definidos, ou não. Lina enxerga a poesia que existe em meio ao caos de São Paulo. Parece haver um balé de carros, que deslizam pelo asfalto molhado. A diretora trabalha com várias câmeras espalhadas ao longo do percurso e uma colada ao ator Fernando Alves Pinto, intercalando imagens de seu rosto com o coletivo da massa de corredores.  
 
A corrida de São Silvestre nunca teve grandes registros no cinema. Durante a preparação para o longa, Lina também realizou um curta, que acabou premiado no Festival É Tudo Verdade de 2011. A corrida também aparece em São Paulo S. A., de Luís Sérgio Person, mas de forma bem menor. Aqui, a diretora faz um retrato poético de um evento que, em sua essência, tem a ressaltar aquilo que há de mais humano em cada um de nós, seja na vitória ou na dor – tanto para quem corre, quanto para quem assiste.

Alysson Oliveira


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