Trapaceiros

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/01/2003

Mais uma vez, um filme de Woody Allen chega com atraso ao Brasil (é de 2000) e, mais uma vez, a espera vale a pena. Trapaceiros é uma comédia divertidíssima, cuja despretensão remonta ao início da carreira do cineasta (Um Assaltante Bem Trapalhão, por exemplo) e já voltou a manifestar-se em The Curse of the Jade Scorpion, seu mais recente trabalho. Na verdade, desde Um Misterioso Assassinato em Manhattan (1993), Allen tem optado com freqüência por um tom mais leve, afastando-se dos temas intimistas e bergmanianos que marcaram algumas obras do passado.

Em Trapaceiros, Woody interpreta o atrapalhado lavador de pratos Ray Winkler, um ex-presidiário convencido de que planejou um crime perfeito, o que solucionaria seus problemas financeiros e atenderia às ambições sociais de sua esposa Frenchy (a ótima Tracey Ullman, indicada ao Globo de Ouro pelo papel), uma ex-stripper que, atualmente, trabalha como manicure.

A idéia de Ray, a ser perpetrada com a ajuda de alguns dos comparsas mais burros da história do cinema, é alugar uma floricultura abandonada e, de seu porão, cavar um túnel até o banco vizinho. Mas o inesperado acontece. A loja de biscoitos (preparados por Frenchy) que está servindo de fachada para a atividade criminosa começa a dar certo, muito certo.

Na segunda parte do filme, acompanhamos a vida do casal como milionários e seus desdobramentos. Nessa metade, Allen evoca histórias clássicas como Pigmalião e Nascida Ontem (Frenchy contrata um marchand, vivido por Hugh Grant, para adquirir cultura), intensifica a sátira social e brinca com a própria imagem de sofisticado e intelectual.

Ainda que o ritmo caia um pouco, Trapaceiros nunca deixa de ser ótimo entretenimento, talvez até para quem não é fã do diretor e roteirista. É verdade que nem todas as piadas são acessíveis ao grande público, mas todos podem comprovar que, como escreveu certa vez o crítico Leonard Maltin, "ninguém escreve diálogos mais engraçados" que Woody Allen.

Também é fácil admirar, como sempre, sua direção de atores (o elenco ainda inclui a roteirista e diretora Elaine May, impagável como a prima de Frenchy) e suas escolhas musicais - a deliciosa trilha sonora inclui With Plenty of Money and You, de Harry Warren e Al Dubin.

Fábio Massaine Scrivano


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança