Um final de semana em Hyde Park

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Sinopse

Nos anos 1930, Margaret Suckley, prima do presidente Franklin D. Roosevelt, é chamada por ele a sua casa, em Hyde Park. Pouco a pouco, estabelece-se entre os dois uma intimidade clandestina. Nesta condição de amante secreta, ela assiste à histórica visita dos reis ingleses aos EUA, às vésperas da II Guerra Mundial.


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Crítica Cineweb

28/11/2013

Bill Murray compõe um Franklin Delano Roosevelt muito inusitado em Um Final de Semana em Hyde Park, em que se espia pela fechadura da intimidade de um dos mais importantes presidentes norte-americanos, num momento crucial da história mundial, 1939.
 
Fugindo de um registro meramente histórico, mas sem furtar-se a delinear a importância do que estava em jogo, assiste-se à primeira visita de um casal real britânico, George VI (Samuel West), e sua mulher Elizabeth (Olivia Colman), aos EUA, às vésperas da declaração de guerra à Alemanha nazista – para o que o rei inglês pretendia obter o apoio dos americanos. Trata-se do mesmo rei que protagoniza a história de O Discurso do Rei (2010), vencedor de quatro Oscar. 
 
O que tira a poeira de filme de época, em primeiro lugar, é a história ser contada do ponto de vista de Daisy Suckle (Laura Linney), uma prima distante de Roosevelt que se tornara sua companhia constante há alguns anos, a pedido dele, sempre que visitava Hyde Park - a residência rural pertencente à mãe dele (Elizabeth Wilson), onde o presidente, com problemas de locomoção devido a uma poliomielite, passava muito tempo, longe de sua mulher, Eleanor (Olivia Williams), que tinha uma agenda própria. Nessa casa, o presidente receberia os reis ingleses.
 
O Roosevelt estadista, gestor de grandes questões sociais, fica em segundo plano na primeira parte do filme, que retrata sua intimidade, física inclusive, com Daisy – uma personagem real, que deixou papeis sobre esta relação, encontrados depois de sua morte, em 1991. O roteiro do dramaturgo Richard Nelson, no entanto, vai mais longe do que os escritos deixados por Daisy.
 
Esta vida sexual clandestina do presidente – em que há outras mulheres, como Daisy não tardará a saber – percorre a história em paralelo. Quando chegam os reis, o enredo se desloca para retratar, com bastante cinismo, o choque cultural entre os anfitriões e os visitantes. No quarto destinado aos reis, por exemplo, deixaram ficar nas paredes quadros que aludem à independência dos EUA, que mostram os soldados ingleses sendo rechaçados e ridicularizados.
 
A independente Eleanor, por sua vez, não se intimida de perguntar à rainha inglesa se pode chamá-la de “Elizabeth” – para choque da soberana, que vê com suspeita a multietnicidade dos habitantes da ex-colônia. Na festa programada para os visitantes, Eleanor traz um cantor indígena, apresentando-se em sua língua, e decide como menu principal nada menos do que os informalíssimos cachorros-quentes. Um detalhe que, se assustou a rainha, permitiu que os reis ingleses fossem humanizados diante da imprensa e do público norte-americano.
 
Roteiro e direção parecem indecisos sobre o real papel de Daisy na história. Se ela aparece forte no primeiro segmento, fica de lado durante a visita do casal real, que ocupa boa parte do filme. Sente-se falta, também, de um maior aprofundamento da personagem de Eleanor, vista por um ângulo um tanto perverso, já que do ponto de vista de Daisy.
 
As atuações de todos mostram-se bastante boas. Mais de uma vez, no entanto, sente-se que os atores estão à procura de situações e diálogos um pouco melhores. E de um filme mais ousado. 

Neusa Barbosa


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