Blue Jasmine

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Sinopse

Milionária desencanada, Jasmine sofre um baque quando o marido especulador, Hal, é pego com a boca na botija. Arruinada, só lhe resta pedir abrigo na casa da irmã, Ginger, num apartamento apertado. Agora, Jasmine vai ter que aprender a trabalhar para viver...


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

13/11/2013

Jasmine (Cate Blanchett) é a encarnação da crise econômica. Mulher que, por vários anos, levou vida rica e fácil, nas costas do marido especulador, Hal (Alec Baldwin), ela vive a queda em todas as nuances em Blue Jasmine.
 
O novo filme de Woody Allen oferece à versátil atriz australiana uma personagem em que ela pode exercitar todos os músculos de seu notável talento. Sua Jasmine pode ser fútil, arrogante e até desonesta – por cumplicidade. Mesmo assim, não lhe falta um grama de humanidade. Por isso, rimos com ela, temos pena dela e a detestamos com a mesma intensidade.
 
Se Blue Jasmine é uma comédia, sem dúvida é de humor negro – e em relação a um tema espinhoso, a grande quebra dos mercados financeiros de 2008. Se há, nas entrelinhas, comentários sociais de sobra, o filme não esquece sua função de divertir, sem deixar de ser impiedoso com os maestros da ciranda financeira.
 
Hal, o especulador insensível – até com o dinheiro dos cunhados remediados – é, na interpretação irresistível de Alec Baldwin, alguém para tomar cuidado, porque é inegavelmente sedutor. Assim, como não entender que Jasmine fechasse os olhos aos seus negócios duvidosos, quando ele nunca se esquecia de brindá-la com viagens e joias de surpresa?
 
Mas o reino dourado em que ela vivia acabou. O filme começa justamente com sua mudança para a casa modesta da irmã, Ginger (Sally Hawkins), um pequeno apartamento em San Francisco, que Jasmine terá que dividir também com os dois sobrinhos. Suas malas e o que restou do figurino de grife não escondem o drama maior: a ex-madame arruinada simplesmente vai ter que trabalhar para viver.
 
É, compreeensivelmente, imenso seu choque cultural com esse mundo suburbano à sua volta, do namorado da irmã, Chili (Bobby Canavale), às clientes do consultório do dentista (Michael Stuhlbarg) em que ela foi aceita como recepcionista.
 
O peixe fora d’água parece encontrar uma tábua de salvação numa festa, em que conhece Dwight (Peter Sarsgaard) – rico, bonito, bem-nascido, preparando-se para casar e iniciar uma carreira política. A situação parece ideal para devolver-lhe tudo o que perdeu. Mas Blue Jasmine não é mesmo uma história de fadas.
 
Num filme com tantas subtemas sérios, Woody Allen demonstra o tarimbado roteirista que é, enfileirando situações cômicas – algumas, no limite do patético – para equilibrar a carga dramática de uma grande derrocada. A inadequação de Jasmine proporciona alguns desses momentos hilariantes, em suas reações fora de lugar aos problemas cotidianos e suas inacreditáveis conversas com os sobrinhos. É uma tapeçaria dramática da melhor qualidade a que Allen entrega aqui. 

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 14/11/2013 - 16h37 - Por Ana Silva "Mesmo assim, não lhe falta UM grama de humanidade"
  • 14/11/2013 - 16h45 - Por Neusa Barbosa Olá Ana, corrigido. Obrigada.

    Mas gostaria de saber o que vc pensa do resto do texto,

    abs

    Neusa
  • 18/11/2013 - 09h11 - Por Fábio Excelente crítica, assisti ontem ao filme! Reflete, com muita precisão, o sentimento que se tem ao sair da sessão.
  • 19/11/2013 - 08h59 - Por Fabíola Curto e certeiro, excelente texto! Só uma observação: O preconceito e elitismo da Jasmine é algo tão típico da cultura americana,que a acho vítima daquela coisa americana onde os "bem-sucedidos" não me provocam mais raiva, o homem negro uma mulher branca,o pobre e sem escolaridade, o intectual cheio de grana.... Enfim, não sei se ando meio sociopata, mas não consegui sentir raiva da Jasmine, só antevi que ela iria se dar muito mal. Aliás, amo Woody Allen, mas acho que ele cultua mais riqueza que os 007's/ James Bond, diferindo com a série por esta lhe faltar o intelectualismo,que convenhamos,é mais um segregador socioeconômico.
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