O Conselheiro do Crime

O Conselheiro do Crime

Ficha técnica


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Sinopse

Advogado que trabalha para traficantes de drogas, o "Conselheiro" está apaixonado pela bela Laura. Sua ambição cresce e ele se envolve numa empreitada em que ocorre um erro, o que coloca em risco a ele, a noiva e também seu parceiro traficante, Reiner - cuja mulher, Malkina, é uma figura muito estranha.


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Crítica Cineweb

23/10/2013

O conselheiro do crime, novo filme de Ridley Scott, a partir de um roteiro do premiado escritor norte-americano Cormac McCarthy, é um filme que mais esconde do que mostra. O personagem-título, interpretado pelo ator alemão Michael Fassbender, não tem nome próprio, sendo chamado de apenas de “Doutor”. Sabemos muito pouco sobre o seu passado e mesmo seu presente – o que exatamente ele faz no esquema de tráfico de drogas que assessora?
 
Depreendem-se informações aqui e ali, mas tudo é mistério, exceto a ambição que move os personagens. Reiner (Javier Bardem) é um chefão do tráfico, acompanhado de sua mulher, Malkina (Cameron Diaz), que tem como animais de estimação uma dupla de guepardos. É para deixar bem claro: são um casal de predadores. E, no fundo, é ela quem tem o poder ali.
 
Malkina e Laura (Penélope Cruz) são duas pontas que polarizam os personagens masculinos – são a alegria, a perdição e a sina deles. Laura é a noiva do Conselheiro, o advogado sem nome interpretado por Michael Fassbender, que, aos poucos, se consolidou como um dos melhores atores de sua geração, tendo no currículo filmes como “Shame” e “Bastardos Inglórios”.  Será que Laura sabe de onde vem a fortuna de seu futuro marido? Conhece os tipos de riscos que os dois correm?
 
O conselheiro do crime é, no fundo, um impiedoso estudo de personagens. Há uma trama sobre um carregamento de drogas atravessando a fronteira entre México e EUA, mas isso é um detalhe que entra na história para amarrar um mergulho nos bastidores dos vários escalões do tráfico – aqueles no topo, que ficam com o lucro, enquanto a esfera inferior se esfola nos muitos perigos dessa atividade e paga o preço imposto pelos inimigos. A cadeia de poder começa a ser destruída de baixo para cima.
 
O mistério também se faz presente no personagem de Brad Pitt, Westray. Quem é esse sujeito todo engomadinho e ricaço? Qual é a dele? O que importa é que ele tem informações que podem ajudar ao Conselheiro. Mas de qual lado ele joga? Mocinho ou bandido? É nesse terreno pantanoso que caminham os personagens, um campo das incertezas onde qualquer gesto mais brusco pode causar danos irreversíveis.
 
Ridley Scott – que vem de Prometeus e Robin Hood – faz um filme que poderia ter saído das mãos de Oliver Stone – especialmente por estabelecer um diálogo com a mais recente obra daquele diretor, “Selvagens” (2012). Ambos investigam o tráfico pelas beiradas, colocando as figuras centrais desse negócio na periferia do enredo. É um esquema de molde capitalista, portanto, bastante rentável, e assim abre espaço a uma investigação sobre a exploração de países pobres pelos ricos. O contraste dos cenários entre México e EUA é gritante. Os tons de cores do filme são o sintoma disso.
 
Autor de romances adaptados para o cinema, como “Onde os velhos não têm vez” (cuja versão cinematográfica no Brasil recebeu o título “Onde os fracos não têm vez”) e “A Estrada”, Cormac McCarthy aventura-se por um terreno que ele mesmo já assumiu desconhecer: os personagens femininos. As ações do filme surgem do embate tácito entre Malinka e Laura – são elas que agem, enquanto os homens, sem se dar conta, apenas reagem.
 
Este é um ambiente povoado por pessoas imperfeitas – que agem mais pelas paixões e instintos do que pela razão, e nesse jogo acabam perdendo a cabeça. Alguns deles, literalmente.

Alysson Oliveira


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