Cerimônia Secreta

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

A jovem milionária Cenci perdeu sua mãe. A prostituta Leonora, sua filha pequena. Elas se conhecem e formam um vínculo neurótico substituto das pessoas que morreram. Um dia, o padrasto de Cenci volta à mansão e ameaça o equilíbrio precário da situação.


Extras

Acompanha o DVD um livreto contendo trechos de uma entrevista do diretor Joseph Losey ao crítico francês Michel Ciment.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

11/10/2013

Uma novela argentina de 1960, escrita por Marco Denevi, foi o ponto de partida da inquietante trama de Cerimônia Secreta. A atriz Ingrid Bergman foi quem primeiro chamou a atenção do diretor Joseph Losey para o livro, que terminou descolando-se de seu contexto latino-americano no roteiro assinado por Losey e seu colaborador, George Tabori.
 
Amigo e colaborador do dramaturgo Bertold Brecht, Losey compartilhava com este o apego ao rigor e à intensidade emocional, que transpira em cada fotograma deste drama denso, marcado por uma direção precisa, rigor estético e interpretações incandescentes.
 
A presença da morte na vida de Leonora (Elizabeth Taylor) e Cenci (Mia Farrow) aproxima as duas. Prostituta, Leonora perdeu uma filha de 10 anos. Cenci, sua mãe. Rica, morando sozinha numa mansão enorme e esdrúxula, em sua mistura de estilos, Cenci “escolhe” Leonora como mãe substituta, envolvendo-a no seu jogo esquizofrênico de rituais. Leonora acaba rendendo-se à situação, em que encontra alívio emocional e também financeiro.
 
A chegada repentina de Albert (Robert Mitchum), o padrasto de Cenci, abala o frágil equilíbrio da simbiose entre as duas. Com Cenci, o padrasto mantém um vínculo incestuoso, que é um fator de ainda maior instabilidade para a jovem. A trilha sonora de timbre metálico de Richard Rodney Bennet é o diapasão perfeito para demarcar este território de paixões turbulentas, neuróticas, personagens deslocados, em eternos jogos de manipulação.
 
O vinco teatral da obra, fiel às raízes de Losey, não cria nenhum embaraço à fluência do filme. Bem ao contrário, a dramaturgia sólida do roteiro é um dos pontos altos de um drama corajoso, abordando temas complexos como loucura e incesto, sem render-se a moralismos nem excessos, contando com diálogos de enorme crueza para ouvidos politicamente corretos.
 
Se Albert é o personagem mais retilíneo – permitindo a Mitchum entrar na carne de um vilão muito humano e realista -, e Cenci, totalmente convincente em sua fragilidade extrema (um dos melhores papeis da carreira de Mia Farrow, aqui com 22 anos), é Leonora (Liz) a personagem que mais se despoja e revela, em seus diálogos consigo mesma. Entre o confessional e o manipulativo, Leonora é o animal mais contraditório e transparente dos três.
 
No papel das tias de Cenci que proporcionam um curto alívio cômico, Peggy Ashcroft e Pamela Brown dão sabor à narrativa, em duas sequências curiosas, numa visita à mansão e recebendo Leonora em sua loja de antiguidades.
Não há um único detalhe que não tenha uma função essencial na composição do clima da história, a começar pela esplêndida mansão londrina em que se passa a maior parte deste huis clos, moldada por vários arquitetos, entre 1896 e 1904, numa estranha mistura de estilos,. Um cenário artificial não forneceria ambientes mais exóticos, que parecem uma extensão dos delírios mentais de Cenci. O figurino de Marc Bohan e Klara Kerpin não fica atrás, servindo especialmente à gangorra das emoções de Leonora.
 
Material precioso está contido no livreto que acompanha o DVD, contendo trecho de uma entrevista de Losey ao crítico francês Michel Ciment, em que detalha as circunstâncias da produção.  

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança