A Rebelde

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Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Participante de uma greve que ocupou uma fábrica, Irene Corsini assiste à morte de seu marido, líder sindical, pela polícia. Ela enfrenta de peito aberto Annibale Doberdò, o patrão inflexível que encara o movimento. Entre os dois, inicia-se uma relação inusitada e complexa.


Extras

Dolby digital 2.0; extra: entrevista exclusiva com o diretor Alberto Bevilacqua


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

07/10/2013

Romy Schneider e Ugo Tognazzi formam o casal inusitado mas, à sua maneira, perfeito, para encarnar uma mulher e um homem entregues a uma relação complexa que envolve política e sexo.
 
Apoiado nos talento dos dois ótimos atores, flui com naturalidade a criativa história que marca a estreia na direção de longas do escritor e roteirista italiano Alberto Bevilacqua (que acaba de falecer), a partir de um romance de sua autoria.
 
Na sedutora entrevista que constitui o ótimo extra deste DVD, Bevilacqua conta como conheceu a verdadeira “Califa”, figura que inspirou Irene Corsini (Romy Schneider), a viúva de um operário militante, assassinado pela polícia. E também como se permitiu inventar, no romance e na tela, nuances que tornam a personagem mais visceral e contraditória, além de avançar em relação ao contexto real, incluindo referências ao início do terrorismo.
 
Se o filme, de 1970, tem a marca do clima exacerbado pelas lutas sindicais e políticas da época, não é menos verdade que chega às locadoras brasileiras num momento em que essa efervescência política, além da crise econômica, estão novamente em questão. Bevilacqua conseguiu não localizar demais seu enredo, não restringi-lo mais do que o necessário ao seu tempo e lugar, o que contribui para que se torne uma metáfora do tema.
 
O grande segredo para o êxito dramático da história é como o diretor-roteirista conseguiu transformar seus dois protagonistas em símbolos de seus respectivos sexo e classe social de uma maneira orgânica, injetando-lhes uma dimensão emocional tão consistente quanto a política, complexidade que permite que ultrapassem as fronteiras dos papeis que se esperam deles.
 
Fugindo totalmente ao registro cômico sempre associado a ele, Ugo Tognazzi entra na pele do empresário Annibale Doberdò, proprietário de uma grande indústria onde acontecem greves e uma ocupação, por conta de demissões em massa. Referência de seus pares em seus órgãos de classe e enfrentando as investidas dos líderes sindicais cara a cara, de peito aberto, com uma valentia vaidosa que busca intimidar, ele encontra na figura aparentemente frágil de Irene (Romy) uma adversária à altura.
 
Irene não recua quando ele manda seu motorista investir contra ela, quando barra seu caminho. Quando tem que saltar para não ser atropelada, ela lhe cospe na vidraça. Eles terão oportunidade de muitos outros enfrentamentos, inclusive o sexual – e aí é o campo em que a liberada Irene tem mais lições a lhe dar. Ela tem a força de uma feminilidade que atende à sua própria vontade e que ele não controla. Não será com jogos de poder que ela a subjugará, e isto o desconcerta. Irene tem meios de conduzir Doberdò no caminho de sua humanização, porque com ela terá que interagir, se quiser sexo ou negociação.
 
Mistura sutil de doçura e firmeza, Romy Schneider cria uma protagonista com muitas camadas, uma personagem feminina de primeira grandeza, forte e imprevisível. Que atriz magnífica foi essa intérprete vienense, que morreu tão cedo (43 anos). Quanta beleza nos seus gestos, quanta inteligência nas suas atitudes, na sua interpretação. Impossível deixar de pensar como seria difícil produzir hoje um filme como este, uma crônica não-naturalista sobre a luta de classes, fugindo de estereótipos e discursos fáceis, evidenciando sem maniqueísmo tramas da complexidade da própria vida.  

Neusa Barbosa


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