Preenchendo o vazio

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Locais de filmagem


Sinopse

Aos 18 anos, Shira começa a sonhar com seu casamento, que ocorrerá necessariamente dentro de sua comunidade, de judeus ultra-ortodoxos. A morte inesperada de sua irmã, Esther, no parto do primeiro filho, cria uma situação difícil. Para impedir que o genro parta com o bebê para outro país, onde se casará novamente, a mãe de Shira quer que se case com o cunhado.


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Crítica Cineweb

25/09/2013

Nascida em Nova York e formada em cinema em Jerusalém, onde se tornou ultra-ortodoxa, a cineasta judia Rama Burshtein é certamente uma insider da comunidade hassídica. Por isso, seu filme Preenchendo o Vazio,evidencia o mérito imediato da legitimidade de um olhar de dentrona construção da riqueza de detalhes, que impressiona e ajuda a colocar o espectador dentro da história de Shira (Hadas Yaron), vencedora do prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza 2012. O filme foi igualmente o grande vencedor da Mostra de São Paulo do mesmo ano, arrebatando o troféu de melhor ficção.
 
Garota de 18 anos, Shira está começando a cogitar seu casamento – aliás, a única função das mulheres dentro desta visão ultrarreligiosa do mundo, como fica muito claro. Um casamento, que se não é imposto propriamente, já que os noivos devem concordar, é arranjado mediante contatos entre as famílias num círculo muito restrito – do qual estão excluídos não só os judeus seculares como os membros de quaisquer outras religiões.
 
A morte de sua irmã, Esther (Renana Raz), no parto do primeiro filho confronta Shira com uma outra questão. Para evitar que o genro, Yochay (Yiftach Klein), parta com seu único neto para a Bélgica, onde encontrou uma nova mulher, sua sogra Rivka (Irit Sheleg) pressiona a filha Shira a casar-se com ele.
 
É verdade que há negociações. O pai de Shira não deseja este casamento, a jovem resiste ao arranjo que contraria seus sentimentos e tabus. Mas é muito difícil identificar o que ela pensa, o que ela sente. Preenchendo o Vazio levanta um véu sobre este ambiente complexo, em que há muita comunhão e alegria, mas é também muito fechado em si mesmo. Pode-se respeitar a indiscutível delicadeza deste retrato – valorizado pela excelente fotografia de Asaf Sudry -, bem como compartilhar o senso de família e comunidade. Mas o fechamento deles nos próprios hábitos e valores não esconde um viés algo sufocante.
 
A declarada intenção da diretora de não comentar outro tema crucial na sociedade israelense moderna, o confronto entre os judeus ultrarreligiosos e os seculares, é de se lamentar, pois enriqueceria o filme. Mesmo no retrato das mulheres, das quais Rama compôs uma notável galeria de várias gerações, sente-se uma certa contenção. Talvez um diretor menos comprometido pudesse infiltrar a história de uma reflexão mais ampla da condição feminina. Neste contexto que o filme propõe, a individualidade – e não só das mulheres - parece condenada à asfixia.

Neusa Barbosa


Trailer


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