O Tempo e o Vento

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Locais de filmagem


Sinopse

Em uma noite de vendaval e conflitos, Dona Bibiana recebe a visita do espírito de seu amado Capitão Rodrigo. Enquanto espera o dia nascer, eles relembram a história de sua família, numa trama de tons épicos que se entrelaça com a formação do Rio Grande do Sul.


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Crítica Cineweb

24/09/2013

Em meados dos anos de 1980, a Rede Globo exibiu uma das várias adaptações de O Tempo e o Vento, a partir do celebrado livro de Érico Veríssimo, que tinha um quê de cinema. Agora, chega aos cinemas a adaptação do romance assinada por Jayme Monjardim que tem cara de uma minissérie de televisão. Não será nenhuma surpresa se em breve uma versão mais longa for exibida na mesma Rede Globo (coprodutora do longa).
 
Consagrado diretor de novelas, Monjardim, que estreou no cinema em 2004, com Olga, entrega exatamente o filme que podia se esperar de um diretor com seu perfil: repleto de paisagens, closes, diálogos reiterativos e ritmo arrastado. Sua versão de O Tempo e o Vento adapta apenas a primeira parte da trilogia de Érico Veríssimo sobre a formação do Rio Grande do Sul, O continente. Um de seus maiores problemas está no ritmo. Tenta-se comprimir tantas histórias e tantas personagens que não se permite a nenhum deles ter um desenvolvimento orgânico, ou tempo suficiente para amadurecer na tela – tudo se atropela.
 
O filme começa com Bibiana (Fernanda Montenegro) idosa, numa noite de disputa entre sua família, os Terra-Cambará, e seus maiores inimigos, os Amaral. Enquanto espera passar essa “noite de vento, noite dos mortos”, recebe a visita do espírito de seu marido, o Capitão Rodrigo (Thiago Lacerda), e conta-lhe toda a saga de sua família – como se ele não a conhecesse. Essa estratégia serve para amarrar as diversas histórias e cobrir com a narração da personagem fatos importantes para a trama que não estão no filme.
 
O tom de Fernanda Montenegro é professoral, didático, explicando cada uma das cenas e relembrando todo tempo quem são as personagens – é raro ela se referir, por exemplo, a Ana Terra sem o aposto “minha avó”. Esta é, aliás, a primeira história. Ana Terra (Cléo Pires) vive numa estância com seus pais, onde ela conhece Pedro Missioneiro (Martin Rodriguez), índio cuja figura estranhamente lembra o pirata Jack Sparrow, de Johnny Depp, na série de filmes “Piratas do Caribe” – talvez só mais um toque pop do filme.
 
Anos mais tarde, um certo Capitão Rodrigo chega à cidade de Santa Fé, onde disputa o amor de Bibiana (agora interpretada por Marjorie Estiano) com Bento Amaral (Leonardo Medeiros), de cuja família se tornará inimigo mortal. Seguem-se, então, alguns anos de amor e guerra – onde vale tudo, como diz o ditado.
 
Trabalhando com um roteiro adaptado pelos escritores Leticia Wierzchowski (A casa das 7 mulheres) e Tabajara Ruas (Netto perde sua alma), Monjardim privilegia o melodrama, deixando de lado o que há de épico na obra de Veríssimo. Assim, Fernanda Montenegro, além de Bibiana, é uma espécie de professora responsável por narrar fatos históricos. É tanta informação, que, a certa altura, dá vontade de levantar a mão e perguntar: “Professora, isso cai na prova?”.
 
Talvez O tempo e o vento funcione se realmente se tornar uma minissérie de televisão, na qual é preciso explicar o capítulo anterior no dia seguinte para quem se esqueceu ou não viu. Com suas infindáveis e belas cenas de nascer e por do sol e romance meloso, no entanto, o filme é equivocado. Tão equivocado quanto o sotaque desencontrado dos atores e a música dos créditos finais, curiosamente cantada em inglês. 

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 27/09/2013 - 20h52 - Por claudia collares Concordo que a narração teve um tom didático mas se assim nao fosse seria muito difícil entender o filme. Mesmo gaúchos leitores
    De Erico veríssimo se atrapalham com tantas guerras,tantas gerações.
    Monjardim fez o belo filme possível a ele. Acho digno.








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