Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 3 votos

Vote aqui


País


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/01/2003

É o conto de fadas da era Bush, fruto de uma América republicana, conservadora, armamentista e moralista. Ou seja, centra-se numa heroína linda embora escondida dentro de um figurino vitoriano, fria ao ponto de nunca se render à paixão (Natalie Portman), e um galã dúbio, arrivista e sem nenhum charme ou escrúpulo moral para chegar ao topo (Hayden Christensen). Todo o brilho fica por conta da novidade das texturas, cores e personagens digitais, muita coisa para encher os olhos e distrair do fato de que todo o entretenimento se esgota aí, nessas batalhas artificiais em que sobra técnica e falta emoção.

Claro que o megamarketing funciona. Multidões estão correndo para ver o filme, bilhões serão contabilizados ao final de todas as etapas de sua comercialização e de seus subprodutos. Mais do que um filme, trata-se de um mega-empreendimento, tocado por um dos homens que melhor conhece o ramo, George Lucas.

Falando estritamente de entretenimento, que é, em geral, o que o público procura neste gênero, não dá para dizer que a decepção seja total. Este episódio dois com certeza tem muito mais movimento do que A Ameaça Fantasma (99) - mas isto não chega a ser um mérito, já que a a primeira prequel não tinha nenhum. Pelo menos aqui há o romance - mais casto, impossível - entre a agora senadora Padmé Amidala (Natalie Portman) e o jedi Anakin Skywalker (o novato ator canadense Hayden Christensen).

Por conta da entrada em cena deste novo guerreiro, diminui a participação de um jedi muito mais carismático, Mace Windu (Samuel L. Jackson) - o que é um prejuízo inestimável para os saudosistas que acreditam mais na arte do que nos negócios. Como Christensen não é nem tão bom intérprete nem tão sexy quanto se poderia desejar, desequilibra a dupla formada com seu mestre-jedi, Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), o que é um problema, já que ambos são os encarregados de guardar a vida da senadora, perseguida pelas forças do lado escuro que desejam a guerra total na República.

O filme todo é uma sucessão de fugas e guerras interplanetárias, que servem de pretexto para exibir as novíssimas cores, texturas e personagens virtuais produzidos pelo engenho digital. Afinal, é preciso mostrar onde é que foi gasto o orçamento de US$ 140 milhões e para o que serviu a novidade da captação digital, a partir de uma câmera especialmente desenvolvida para Lucas pela Sony, com lentes Panavision.

Neste aspecto, as melhores seqüências estão na descoberta do gigantesco exército secreto de clones por Obi Wan-Kenobi e sua luta contra o intermediário que o encomendou (Temuera Morrison); a batalha de jedis contra bestas de visual pré-histórico e robôs implacáveis numa arena; e a luta do infatigável mestre Yoda (voz do diretor Frank Oz) contra o conde Dookan (Christopher Lee). Todas elas cumprem a promessa de adrenalina contida na própria razão de existir da cinessérie, que ainda entrega um novo capítulo, fechando a trilogia das prequels, em 2005.

Quem procurar, encontrará, é certo, referência a inúmeros outros exemplares de ficção científica, recentes ou não. A perseguição à primeira inimiga da senadora Padmé lembra tanto Blade Runner (quando a perseguição acontece no chão) quanto O Quinto Elemento (quando se desenrola a bordo de naves no trânsito engarrafado dos céus). Não há cenário urbano futurista que não pareça uma atualização digital do clássico Metrópolis (27), de Fritz Lang. Mesmo a luta de Yoda e Christopher Lee remete a um combate muito semelhante que Lee manteve com seu opositor bruxo em O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel (Ian McKellen).

Certamente, não é da busca de originalidade que se trata aqui. Está na essência desta trilogia ser uma prequel para uma história cujo final todo mundo já conhece. Em última análise, o filme diverte, embora quase sucumba a uma solenidade intragável. Ficam faltando personagens mais safos, como era o Han Solo de Harrison Ford, no centro da trama. Felizmente, ainda estão por perto os velhos robozinhos R2-D2 e C-3PO e os jedis, que bem poderiam ser investidos de mais uma missão, a de guardiães contra o tédio. George Lucas era bem mais divertido quando se levava menos a sério e chamava diretores melhores para fazer o seu serviço.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança