Las Acacias

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País


Sinopse

Ruben é um caminhoneiro solitário e, numa viagem de Assunção a Buenos Aires, ele dá carona a Jacinta e sua filha de 8 meses. Se no começo surge uma tensão, entre ele e a mulher, com o tempo, percebe que pode haver uma amizade entre eles.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

03/09/2013

Segundo a Bíblia, Deus mandou Moisés usar madeira de acácia para construir a Arca da Aliança, que guardaria as Tábuas da Lei, aquelas dos 10 Mandamentos. Algumas interpretações dizem que a escolha da árvore não é à toa, pois a madeira dela é extremamente resistente, característica necessária para manter seguro algo tão sagrado.
 
Não é coincidência, portanto, o título do filme argentino Las Acacias (2011), de Pablo Giorgelli. O longa, exibido na penúltima edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, acompanha Rubén (Germán de Silva), um caminhoneiro argentino que transporta os troncos de madeira de acácia do Paraguai para o seu país. As circunstâncias da vida – cujas situações ficam mais a cargo do espectador imaginar – tornaram o transportador semelhante ao material transportado: o motorista é um homem de coração bruto e solitário, que parece viver tão no “automático” que não se relaciona com quem está ao seu redor, pois grande parte do seu dia se resume à cabine do seu caminhão.
 
Isso fica evidente nos primeiros minutos de exibição, nos quais não há nenhum diálogo, apenas os sons da motosserra, da árvore caindo, do caminhão, da estrada... Por ser um caso raro em que a trilha sonora foi totalmente dispensada da produção – até durante os créditos –, o som ambiente é essencial na construção dessa trama. E o trabalho de Martín Litmanovich nesse departamento torna a experiência sonora do filme algo notável.
 
A voz humana, no entanto, é ouvida somente no momento em que Jacinta (Hebe Duarte) é introduzida na história. A mãe paraguaia quer ir com a sua filha Anahí (a graciosa Nayra Calle Mamani), com oito meses de vida, para Buenos Aires e pega carona com Rubén, depois de uma indicação do chefe dele. Tudo acontece gradualmente na trama. Aos poucos, sabemos o porquê da personagem querer ir para a capital argentina. Assim como, a resistência de Rubén cai por terra ao ver os olhares inocentes e sinceros da bebê e ele, lentamente, abaixa a sua guarda: do homem rude que nem ajuda a mulher e a criança a subir no caminhão, ele se torna um dos mais cavalheiros do gênero; de motorista mudo, ele passa a ser o amigo atencioso e zeloso daquela pequena família.
 
Os 10 Mandamentos guardados na Arca feita de madeira de acácia foram, segundo a tradição cristã, resumidos em um Novo Mandamento dado por Jesus: “Amai-vos uns aos outros assim como Eu vos amei”. A lição de amar ao próximo, não difere, porém, do que é pregado por outras religiões não-cristãs, monoteístas ou politeístas, ou de qualquer defesa em respeito dos direitos humanos. E isso só é possível quando se passa a olhar e escutar o outro com atenção, fato raro hoje em dia, em que a ditadura do tempo mal deixa as pessoas verem e ouvirem a si próprias.
 
Entretanto, Las Acacias não é um filme religioso; a única referência direta é na cena em que o protagonista para em uma capela improvisada na estrada. Mas o longa se baseia justamente na beleza de ouvir ao próximo – mesmo que os diálogos sejam escassos neste caso – e de olhar para alguém – olhares que ganham destaque na produção graças à excelente interpretação de Germán e Hebe.
 
Por tratar com minimalismo e sinceridade uma história que facilmente cairia em um clichê, a obra de Pablo Giorgelli ganhou o prêmio Câmera de Ouro, como revelação no Festival de Cannes de 2011, e criou um novo paradigma dentro do seu subgênero ao fazer um road movie que valoriza o ambiente restrito da cabine do caminhão e o desenvolvimento de seus personagens dentro dele em vez de priorizar a estrada e as paradas do caminho.

Nayara Reynaud


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Comentários:
  • 16/09/2013 - 13h49 - Por Lara A grande revelação do filme foi à pequena Anahi que surpreende pela simpatia e espontaneidade, o enredo e lento, por vários momentos me pequei cochilando. O filme deixou a desejar, são poucos os dialogo. Esse filme e prova que nem sempre a critica tem razão, quando cheguei à sala de cinema esperei ver bem mais.
  • 27/09/2013 - 13h24 - Por Ana Paula Um dos filmes mais sutis e sensíveis que já vi na vida.
  • 30/01/2017 - 21h17 - Por Eduardo Não consigo entender como um filme de 2011 foi rodado com um caminhão antigo.
  • 01/02/2017 - 12h38 - Por Neusa Barbosa Oi Eduardo, acho que o uso do caminhão antigo tem tudo a ver com o que a história está tentando dizer, ou seja, com esse despojamento todo da história e do personagem.
    abs
    Neusa
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