Dose Dupla

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Sinopse

Bobby (Denzel Washington) e Stig (Mark Wahlberg) são dois agentes à paisana escalados para roubar um banco que serve de fachada para a Máfia. O detalhe é que um não sabe da real identidade do outro. Quando eles descobrem, o mandante da tarefa demite ambos, deixando a dupla à mercê dos bandidos. Estreia prevista para 23/8.


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Crtica Cineweb

02/08/2013

Dose Dupla é um filme sobre lealdade. Até aí, nenhuma novidade, pois não há nada mais clichê em filmes policiais, sejam de ação – como é o caso deste – ou de suspense, do que a revelação de que um aliado do protagonista era, na verdade, seu inimigo. Mas quando se consegue utilizar bem um recurso tão batido quanto esse, o resultado da produção é, de algum modo, satisfatório.
À primeira vista, o islandês Baltasar Kormákur consegue isso em seu quarto longa hollywoodiano, baseado nas graphic novels de Steven Grant. Ele proporciona um bom entretenimento para o público com a história do agente da Divisão de Entorpecentes, Bobby (Denzel Washington), e o oficial da Inteligência da Marinha, Stig (Mark Wahlberg), que, disfarçados, roubam um banco utilizado pelo tráfico de drogas. Ao descobrirem a identidade um do outro e se verem abandonados à própria sorte, ambos têm de se juntar novamente para tentar sair da mira dos bandidos.
Apesar de abusar da inverossimilhança em algumas sequências, como a que figura no pôster da produção e materializar em imagem seu título original – 2 Guns –, o diretor faz um filme de ação que prende o espectador. Além da qualidade do som e de alguns planos interessantes, a chave está no roteiro repleto de gags.
Outro aspecto positivo é a presença dos atores Denzel Washington e Mark Wahlberg. Os astros sustentam tanto o vigor físico exigido nas cenas de combate quanto o lado cômico nas piadas do texto, seja pelo talento ou pelo carisma.
Contudo, “Dose Dupla” não fala apenas sobre a fidelidade nas relações sociais de amizade e parentesco, a exemplo do longa anterior de Baltasar, “Contrabando” (2012). Em seu trabalho mais recente, Kormákur vai mais a fundo e questiona a lealdade nas relações institucionais e internacionais.
Em relação ao primeiro ponto – o qual não se pode detalhar muito para evitar spoilers –, algumas perguntas são feitas implicitamente no decorrer do filme. As instituições governamentais são leais ao seu povo? A corrupção não quebra a confiança estabelecida entre governo e população?
O outro caso é retratado com a relação entre Estados Unidos e México. Em uma associação injusta, o primeiro facilita, por baixo dos panos, a entrada de drogas do cartel do México, ao mesmo tempo em que combate ferozmente a entrada ilegal de imigrantes mexicanos que, sem perspectiva de uma vida melhor em seu próprio país, buscam o sonho americano no vizinho rico - que, por sinal, ignora as mazelas que estão tão próximas dele.
Pela pitada de crítica colocada em uma fórmula de puro entretenimento, vale a pena conferir Dose Dupla. Basta saber se o filme será leal às expectativas do público.

Nayara Reynaud


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