Sabrina

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Crtica Cineweb

02/07/2013

Era uma vez, no reino de Hollywood, um novo projeto de Billy Wilder. Uma comédia romântica com os astros Humphrey Bogart, William Holden e Audrey Hepburn, que seria indicada a seis Oscars e se tornaria um clássico do cinema. A história de conto de fadas é verdadeira e aconteceu com o filme Sabrina (1954), uma fábula sobre a filha de um chofer de uma família milionária que sempre foi apaixonada pelo caçula da família, David, mas não era correspondida. A menina, chamada Sabrina, viajou para Paris e, dois anos depois, voltou como uma bela dama que encanta não só David, como também o irmão mais velho dele, Linus, o que pode atrapalhar os negócios da família Larrabee.

A trama fictícia segue esse tom fabulístico em um roteiro que, no mundo real dos anos 2000, pode até ser considerado simples e tolo – o texto ainda estava em desenvolvimento quando as filmagens começaram. Muitas das situações e piadas do longa, talvez não tenham a mesma graça para a plateia atual. A produção também não traz o melhor de Billy Wilder, mas o talento do diretor ainda é visível quando ele, por exemplo, consegue extrair uma raríssima performance cômica de Bogart, o famoso galã de romances e dramas como Casablanca (1942).

Mas arrancar isso de quem estava sempre várias doses acima da humanidade não foi tarefa fácil. O ator foi escalado de última hora, após Cary Grant desistir do papel. Irritado por ser uma segunda opção em um gênero que não estava acostumado, ele trocou farpas com vários membros da equipe durante as gravações. Além disso, Bogart não suportava Holden, o que era recíproco, e não gostava de sua colega de cena: chegou a dizer que trabalhar com dela era legal, “se você não se importasse em fazer 20 takes”. Apesar de duvidar do talento de Hepburn, era ela quem ele menos destratava no set. Só depois, o astro pediu desculpas a Wilder pelo seu comportamento durante as filmagens, alegando a influência de problemas pessoais.

No entanto, a atriz recebeu tratamento completamente diferente do seu outro companheiro de trabalho. William e Audrey se apaixonaram entre uma cena e outra, porém, não chegaram ao “felizes para sempre”. Tiveram um rápido e intenso relacionamento amoroso, que terminou quando ela descobriu que ele não podia ter filhos.

Mesmo assim, as intrigas de bastidores não afetaram a química dos personagens. Aliás, o que transparece na tela são o carisma e a elegância de Audrey Hepburn que a tornaram uma estrela de Hollywood. Em Sabrina, ela veste um Givenchy – curiosamente, o único Oscar que o filme recebeu foi o de figurino, dado a Edith Head, apesar de boa parte das peças terem sido criadas pelo estilista Hubert de Givenchy –, o primeiro de muitos vestidos da grife francesa que se tornaram icônicos com a atriz, como “o pretinho básico” de Bonequinha de Luxo (1961). Givenchy, no início, achou que trabalharia com a famosa Katherine Hepburn, mas, depois de esclarecer a confusão, começou uma grande e duradoura amizade com Audrey.

Tamanha graciosidade não é encontrada no remake feito quatro décadas depois, apesar do talento de Julia Ormond, que co-estrelou a produção com Harrison Ford e Greg Kinnear. Sidney Pollack tentou tornar a história mais verossímil e contemporânea no remake de 1995 – neste último aspecto, porém, a trama inicial sobre o preconceito da sociedade em relação aos relacionamentos entre pessoas com grande diferença de idade ou de classes sociais continua atual –, mas acaba transformando-a em mais uma comédia romântica, diferente do original, que ainda permanece como o clássico do gênero. A verdade é que, apesar de todo o realismo de hoje, o mundo ainda precisa de fábulas como Sabrina (1954) e, assim como o clássico La Vie em Rose cantado por Sabrina/Audrey, o público quer ver, nem que seja no escurinho do cinema, “a vida em cor-de-rosa”.

Nayara Reynaud


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