Branca de Neve

Ficha técnica


País


Sinopse

Filha de um famoso toureiro, Carmen perde a mãe no parto e mora com a avó. O pai, numa cadeira de rodas, se casa com a enfermeira que cuidou dele, que não quer saber da menina. Quando esta tenta se aproximar do pai, a madrasta tenta matar a garota, que acaba encontrando proteção junto a uma trupe de anões toureiros.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

02/07/2013

O drama espanhol Branca de Neve parte do famoso conto dos irmãos Grimm, e até segue a maior parte dos elementos do original. Mas esta adaptação sombria está longe de ser um filme infantil. Sem diálogos e em preto e branco, o longa de Pablo Berger (Da cama para a fama), ganhou o prêmio Goya – uma espécie de Oscar espanhol – nas principais categorias, entre elas filme e atriz, para Maribel Verdú, que faz uma madrasta má adepta do sadomasoquismo.
 
Embora possa lembrar o oscarizado O Artista, também feito nos mesmos moldes, Branca de Neve começou a ser planejado há quase uma década, até que finalmente o diretor conseguisse produtores interessados em financiá-lo. O longa é situado na Sevilha do começo do século passado, e a estética vai ao encontro daquilo que se narra, remetendo à dos filmes daquela época.
 
Antonio Villalta (Daniel Giménez Cacho) é um toureiro, o mais famoso e adorado da Espanha. Cego por sua vaidade, não percebe que está correndo risco e, quando é ferido, fica à beira da morte. Enquanto isso, sua esposa (Inma Cuesta) dá à luz a uma menina e morre. A garota, Carmencita (Sofía Oria), cresce aos cuidados da avó (Ángela Molina). Já o toureiro, que ficou paraplégico, casa-se com a enfermeira interesseira que tratou dele no hospital, Encarna (Maribel Verdú).
 
Encarna segue uma trajetória de mera enfermeira a rainha malvada, dominando o casarão dos Villalta – trancando o marido no andar superior e tomando o motorista (Pere Ponce) como seu amante. Com seus olhos grandes e rosto expressivo, a atriz domina o filme, transformando-se no centro da história. Mas encontra rivais à sua altura, primeiro na pequena Sofía Oria e, mais tarde, em Macarena García, que interpreta Carmen quando adolescente.
 
Com a morte da avó, a menina é mandada para a casa do pai, com quem nunca teve contato. A madrasta a proíbe de subir para o segundo andar. Porém, a menina tanto faz que reencontra o toureiro, solitário numa cadeira de rodas preso a um quarto. Se, num primeiro momento, há estranhamento entre eles, com o tempo se tornam amigos e ele lhe ensina técnicas de tourada. Percebendo a situação, Encarna obriga o motorista a matar a menina, mas ele não consegue. Por uma fatalidade, ela fica com amnésia e acaba adotada por seis (e não sete) anões toureiros, que a chamam de Branca de Neve. Eles próprios, aliás, parecem saídos de um filme de Tod Browning (Monstros).
 
A subversão do cinema de Berger aqui se faz tanto na forma quanto no conteúdo, ao agregar novos valores a uma história tão conhecida. Não chega ao radicalismo do português João Cesar Monteiro, em cujo Branca de Neve (2000) a tela ficava escura, sem qualquer imagem, boa parte do tempo. O que o cineasta espanhol buscou aqui foi o que há de obscuro nessa história que, no fundo, é o embate entre duas mulheres ou entre a pureza e a decadência. O preto e branco da fotografia parece evidenciar os aspectos mais grotescos da história.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 16/07/2013 - 22h41 - Por Paulo Fabuloso!
  • 03/03/2015 - 13h33 - Por BESSAMOR Estilo de filme, já nas calendas, nada que justifique um retorno ao sistema. Ainda assim, nada foi acrescentado, deixando o filme insone em algumas passagens. Descartável.
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