O Pianista

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Crítica Cineweb

05/03/2003

O diretor Roman Polanski reencontrou alguns fantasmas do passado em seu novo filme, O Pianista, um relato dolorido, mas sóbrio, das experiências vividas pelo pianista Wladyslaw Szpilman no gueto de Varsóvia durante a II Guerra Mundial. Filme que colheu três Oscar (melhor diretor, ator e roteiro adaptado) uma safra repleta de estatuetas na cerimônia do Oscar, mas que não abusa do sentimentalismo e passa longe do melodrama, recursos que seriam usados despudoradamente por seus colegas americanos, se fossem eles os diretores. Em maio de 2002, Polanski já ganhara a Palma de Ouro em Cannes, além de diversos prêmios europeus e americanos.

Como revelou de forma emocionada em entrevista concedida em 2003, durante a realização do Festival do Rio BR (que consta na seção de entrevistas de Cineweb), a história de Szpilman trouxe de volta à memória do diretor sua própria história, como sobrevivente e fugitivo do gueto de Cracóvia. Para livrá-lo do holocausto, seus pais o passaram por um pequeno buraco no muro para que fugisse, refugiando-se na casa de outra família. Essa cena é reproduzida no filme, com uma criança que também foi empurrada pelos pais mas não conseguiu sobreviver aos ferimentos.

Com a mesma dignidade do personagem, o diretor traça um retrato humano e comovente de milhares de pessoas que foram retiradas de suas casas, na capital polonesa, e levadas para um gueto, cercado por altos muros, onde esperavam a hora de serem embarcadas para os campos de extermínio.

A reconstituição do gueto, com suas casas imundas e moradores acovardados e abatidos, é impressionante. Pelas ruas, multidões de homens, mulheres e crianças perambulavam em busca de informações sobre seus parentes desaparecidos e de algum resto de comida. Crianças e velhos mortos de inanição eram obstáculos nas calçadas, ultrapassados por quem tentava se manter em pé.

O filme acompanha a descida ao inferno do brilhante pianista Wladyslaw Szpilman (Adrien Brody), impedido de exercer seu trabalho por ser judeu e lançado no gueto com sua família. A luta pela sobrevivência faz com que aceite qualquer trabalho em troca de comida, incluindo estafantes jornadas na construção civil. Protegido por amigos da resistência polonesa, passa os últimos anos da guerra escondido em apartamentos, onde não pode nem abrir as janelas e depende totalmente de ajuda externa para se alimentar.

A atuação comovente, porém contida, de Adrien Brody é seu grande trunfo. É também o principal responsável pelo impacto que o filme de Roman Polanski causa à platéia. O drama de seu personagem não é maior nem menor do que o das demais vítimas do holocausto, mas seu rosto confere ao pesadelo coletivo uma dimensão particular, como se todos os dramas se resumissem apenas em sua própria história.

O filme de Polanski também é feliz em retratar aspectos pouco abordados do gueto de Varsóvia, como a resistência de intelectuais e trabalhadores judeus através do trabalho clandestino em pequenas gráficas e em atentados quase solitários contra instalações militares na Polônia ocupada. As imagens do país devastado pelos bombardeios, nos momentos quase finais do filme, é uma moldura que acompanha o espectador, mesmo sabendo que a história de Szpilman teve um final feliz.

Cineweb-7/3/2003

Luiz Vita


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