Somos tão jovens

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País


Sinopse

A juventude de Renato Russo, antes de montar o Legião Urbana, é o centro desse filme que o acompanha desde sua primeira banda, em Brasília, o Aborto Elétrico.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

29/04/2013

Como muitos filmes sobre artistas que deixaram um legado conhecido, Somos tão jovens – longa sobre Renato Russo, vocalista do Legião Urbana, morto em 1996 – tenta decifrar o artista em questão por meio de sua obra. É uma opção arriscada, e que raramente funciona. O próprio título do longa – extraído de um verso da canção Tempo perdido – já deixa claro que se vai ver o Renato Russo conhecido, roqueiro, figura melancólica e irônica que nos anos de 1980 saiu de Brasília para ganhar o país.
 
Nesse sentido, o longa de Antonio Carlos da Fontoura (Rainha Diaba, Gatão de Meia- Idade) funciona até certo ponto, na medida em que coloca em segundo plano o ser humano para se centrar na formação do ídolo. O roteiro escrito por Marcos Bernstein até resiste um pouco à tentação de seguir para esse lado, mas no momento em que Renato Manfredini Junior (interpretado por Thiago Mendonça, que, aliás, canta em cena) solta a voz, o filme não resiste, e se transforma em retrato do artista enquanto jovem e deprimido.
 
O desenvolvimento da cena roqueira de Brasília do final da década de 1970 e nos anos de 1980 serve como um pano de fundo – afinal, não teria como fugir do tema. Esse ambiente, assim como o próprio Renato Russo, foram abordados num documentário premiado de Vladimir Carvalho, Rock Brasília – A Era de Ouro (2011), que explora com profundidade e raras cenas de arquivo momentos que são basicamente apenas citados nesta ficção.
 
Longe do didatismo, Somos tão jovens não se esquiva de abordar um pouco mais claramente a sexualidade de seu personagem – ao contrário, por exemplo, de Cazuza. Uma vez que o pai (Marcos Breda) e a mãe (Sandra Corveloni) fazem quase figuração em personagens sem qualquer profundidade, a figura mais próxima de Renato é Ana (uma impressionante Laila Zaid), com quem o músico vive uma relação ambígua, uma grande amizade, um amor silencioso, meio platônico. Mas a paixão mais forte de Renato é por Flávio Lemos (Daniel Passi), seu colega na banda Aborto Elétrico, a quem ele teme se declarar.
 
Sutilmente, o entorno sócio-político da época se insere em Somos tão jovens. São situações quase banais, mas que denunciam o Brasil de então – como a cena em que Renato, Ana e outros amigos são parados por uma blitz e liberados porque ela é filha de militar. Momentos como esse servem para não apenas situar a trama, mas também contextualizar o clima em que surgiram bandas como o Aborto Elétrico e, mais tarde, Legião Urbana e Capital Inicial.
 
Thiago Mendonça que, em 2005, viveu o sertanejo Luciano em 2 Filhos de Francisco é competente como Renato Russo – e isso não tem nada a ver com cantar ou falar parecido, pois neste sentido trata-se de técnica. O grande mérito do ator é tentar entender a sensibilidade que de uma pessoa que compôs versos como “Será que é tudo isso em vão? Será que vamos conseguir vencer?”.
 
Somos tão jovens não esconde que é um filme para fãs de Renato Russo. Não traz nenhuma novidade, conta algumas histórias conhecidas e deixa de fora outras tantas – novamente, vide Rock Brasília. No fundo, é um filme bem convencional ao falar de um músico que pregava a transgressão, dizendo: “Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião”.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 03/05/2013 - 18h36 - Por marcelo maia Gostaria de saber primeiramente a idade do Sr. Allysson Oliveira, quero saber quantos anos ele tinha em 1985, ano de lançamento do primeiro disco da Legião, pois se ele ainda era uma criança na época não tem nenhum respaldo para fazer nenhuma crítica a qualquer coisa relacionada a Legião, chamar esse filme de convencional, sinceramente ele não teve o privilégio de ouvir e ver a Legião ao vivo, lógico que em duas horas de filme não é possível retratar a história de Renato Russo na íntegra, isso é óbvio Sr. Allysson.
    Antes de tecer alguma crítica sobre esse filme, vá primeiro comprar os discos da Legião e ouça no volume máximo. Pela foto do Sr. Allysson ele deveria ter em 1985 acho que 8 anos....kkkkk
  • 05/05/2013 - 20h06 - Por Adriana É REALMENTE, TEM QUE COMPRAR OS DISCOS DA Legião Urbana,e ouvir ao máximo de volume a obra desta que é uma das grandes bandas de todos os tempos. Nunca mais vai voltar. Amo a Legião Urbana e o saudoso Renato Russo.Saudades!!!
  • 10/05/2013 - 16h10 - Por Tatiany Larissa Realmente concordo com o Marcelo Maia em 2 horas de filme seria IMPOSSIVEL contar a historia de Renato Russo e da banda Legiao Urbana...
    Tive o privilégio de ver o filme que por sinal é muito bom, apesar de não fazer menção ha alguns fatos da historia da Legiao Urbana.
    Enfim teria que se produzir mais alguns filmes para que toda a historia fosse contada.
    No mais AMOOOOOOOOO e sou super fã da banda!
    E vamos esperar pelo filme "Faroeste Caboclo".
  • 10/05/2013 - 18h42 - Por isadora esse filme vai ser nada vem
  • 11/05/2013 - 21h55 - Por Luis Rodolfo Cabral Cs tão dizendo que é impossível contar a história de Renato Russo de maneira competente em apenas duas horas. Mas fizeram uma narrativa bem mais interessante e em bem menos tempo sobre...John Lennon. Cresçam, geração coca-cola.
  • 13/05/2013 - 10h16 - Por Claudio Freitas Achei muito coerente e condizente com o filme a crítica feita aqui. Com 32 anos e todos os discos da Legião na minha cabeceira, tenho que admitir que dificilmente uma cinebiografia poderia retratar a complexidade e a relevância do poeta das multidões para aqueles que nasceram em meados dos anos 80.
    Não há nada de errado em ser "convencional" nos dias de hoje, afinal, vivemos no país dos "mesmos", no Brasil do "Mais do Mesmo". Renovar é preciso (concordo com isso!), mas não há nada de errado em conviver com o óbvio. Urbana Legio Omnia Vinci.
  • 16/05/2013 - 16h32 - Por Alessandro Rios Filme medíocre, comum, com diálogos fracos, nos quais se quer explicar tudo nos mínimos detalhes. O filme se preocupou em "puxar saco" demais dos vivos, e esqueceu de aprofundar no personagem principal, o Renato.
    Fui ao cinema com a expectativa de ver algo tão bom quanto o filme Cazuza, mas me decepcionei demais. Filme comum!
  • 26/05/2013 - 16h36 - Por gutemberg muitobom
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