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Sinopse

Jovem descobre que está com um tipo raro de câncer. O choque com a notícia, obtida durante um exame de rotina, é devastador, inclusive para familiares e pessoas de seu relacionamento.


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Crtica Cineweb

24/04/2013

Existem temas que ainda são tabus, mesmo nas sociedades ditas pós-modernas. Um deles é o câncer, uma das principais causas de morte no mundo, caracterizado pelo seu tratamento extremamente agressivo, seja com cirurgia, rádio ou quimioterapia. Durante muitos anos, até mencionar a doença era algo proibido. Apesar de não carregar o mesmo estigma social de décadas passadas, por causa dos avanços da medicina, a palavra continua desconcertando muitas pessoas.
 
Esses efeitos causados pelo câncer – não só fisicamente no paciente, como também social e psicologicamente em todo o ambiente que o cerca – servem de pano de fundo para 50%, filme de Jonathan Levine. O diretor fez anteriormente o inexpressivo Tudo por Ela (2006) e o independente e promissor The Wackness (2008), e já lançou outra obra, o sucesso comercial Meu Namorado é um Zumbi, mas o seu terceiro trabalho não teve a oportunidade de ser lançado nos cinemas brasileiros. Não deixa de ser uma injustiça, pois o longa recebeu várias críticas positivas internacionalmente. A chave do roteiro e da direção é não ter reservas em abordar o assunto e tratá-lo com sensibilidade, indo do drama à comédia, sem usar o tom melodramático de Laços de Ternura (1983) e diversas produções sobre o tema, nem utilizar situações inverossímeis como trampolim para piadas, como ocorre em Antes de Partir (2007).
 
O choro e o riso são naturais e quase simultâneos nesta dramédia sobre um radialista de 27 anos que, ao marcar uma consulta apenas para sanar uma dor nas costas, é diagnosticado com um tipo de câncer raro na coluna. A câmera desfoca o médico no momento em que, sem papas na língua, ele dá o diagnóstico para Adam (Joseph Gordon-Levitt), materializando o sentimento do personagem – e, consequentemente, do espectador, que se coloca na mesma situação –, que fica totalmente perdido com o choque daquela notícia.
 
A partir dessa cena, o longa traça um panorama das diversas reações que a doença gera nas pessoas, mostrando como cada um lida com o problema. Os colegas de trabalho não têm nenhum tato para conversar com Adam. A namorada, vivida por Bryce Dallas Howard – tornando-se especialista em fazer personagens humanamente repugnantes –, permanece na relação como uma espécie de obrigação. Seth Rogen, eficiente ao interpretar o mesmo tipo de sempre, é Kyle que se aproveita da doença do melhor amigo para conquistar as mulheres e ficar chapado com as “ervas medicinais”. Tanto Serge Houge, como o pai com Alzheimer, quanto Anjelica Huston, na pele da mãe um tanto neurótica, tentam ajudar o filho, cada um a sua maneira, e são responsáveis por uma das cenas mais emocionantes do filme.
 
Até quem deveria lhe dar apoio total, não sabe direito o que fazer: a inexperiente terapeuta Katherine, interpretada com simpatia por Anna Kendrick, tenta seguir os manuais de psicologia, mas percebe que o dia-a-dia não é tão claro como a teoria. O próprio Adam não sabe como lidar com isso: tentar esquecer a doença, manter a esperança ou aceitar a proximidade da morte? Com uma atuação milimétrica, que confirma a sua posição como um dos atores mais promissores e carismáticos do cinema atual, Joseph Gordon-Levitt dá o tom necessário a cada emoção do seu protagonista. Diferente dos livros de autoajuda recomendados por Katherine, 50% defende que não há uma receita ou uma fórmula mágica para passar não só por essa, mas por outras dificuldades da vida.

Nayara Reynaud


Trailer


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