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Sinopse

1998. Vera acaba de mudar-se para o apartamento que comprou com uma indenização recebida devido às perdas vividas na ditadura. Repentinamente, aparece Luiz, seu ex-amante, desaparecido há décadas e começa um confronto das memórias e culpas, e também da saudade.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

17/04/2013

Hoje, um intimista drama político da diretora paulista Tata Amaral, foi o grande vencedor do 44º. Festival de Brasília, em 2011 – conquistando seis prêmios, inclusive o principal, melhor filme, além dos de melhor direção de arte (Vera Hamburger), fotografia (Jacob Solitrenick), roteiro (Jean-Claude Bernardet, Rubens Rewald e Felipe Sholl), melhor atriz (Denise Fraga) e melhor longa para a crítica.
 
De várias maneiras, trata-se de um filme urgente e oportuno, ao retomar a questão de memória e dos desaparecidos políticos na ditadura brasileira (1964-1985) sob um ponto de vista pessoal – no caso, o da protagonista, Vera (Denise Fraga), que procura superar as dolorosas consequências de sua militância, depois de receber uma indenização que lhe permitiu comprar um pequeno apartamento no centro de São Paulo, no ano de 1998.
 
Atriz de teatro e televisão conhecida especialmente por sua veia cômica – como a revelada na bem-sucedida peça Trair e coçar é só começar, em que atuou por seis anos -, Denise Fraga domina a cena numa atuação intensamente dramática.  
 
O pano de fundo da história, adaptada da novela Prova Contrária, de Fernando Bonassi, é a tortura, sofrida no passado tanto por Vera quanto pelo seu companheiro Luiz (o ator uruguaio Cesar Troncoso, de Cabeça a prêmio) – e que fazem relatos arrepiantes da dolorosa experiência.
 
O fato de o co-protagonista ser uruguaio, que cria uma estranheza pelo sotaque, a princípio, acaba servindo como lembrete de que os países do Cone Sul, como Uruguai, Chile e Argentina igualmente viveram ditaduras militares – além de participarem da famigerada Operação Condor, consistindo de uma cooperação estreita entre as forças repressivas dos respectivos países.
 
Dedicado a Luiz Carlos Alves de Souza Jr., o filme incorpora também um componente autobiográfico da diretora. Trata-se de seu ex-companheiro, pai de sua filha Caru – uma das produtoras do filme -, a quem Tata não teve, por muitos anos, coragem de contar que ele havia se suicidado. Uma dificuldade semelhante de enfrentar o próprio passado marca o perfil da personagem Vera e permite a oscilação de versões e climas ao longo da narrativa, criando dúvidas sobre o personagem de Luiz.
 
Uma opção clara foi não recorrer a flashbacks. Em alguns momentos, usam-se projeções de imagens para materializar o passado dos personagens, fugindo deliberadamente de qualquer tentativa de reconstituição, já que a intenção é evocar apenas suas memórias dos fatos vividos a partir de seus relatos.
 
Esta insistência na palavra cria, em alguns momentos, um clima algo teatral – o que contribui para colocar a ênfase na emoção, evidenciando a ótima atuação de Denise e Cesar.
 
 
Leia também:
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Neusa Barbosa


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