Irmãs Jamais

Irmãs Jamais

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País


Sinopse

Na cidadezinha de Bobbio, as irmãs Mai, Maria Luisa e Letizia, ficaram solteiras. A grande casa da família recebe sempre a visita dos sobrinhos, Pier Giorgio e Sara, sempre acolhidos em suas dificuldades pelas tias. A filha de Sara, Elena, acaba ficando com elas em Bobbio, enquanto a mãe vai tentar a sorte no teatro em Milão.


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Crítica Cineweb

17/04/2013

Produzido ao longo de vários anos e lançado no Festival de Veneza 2010 em sua forma final, Irmãs Jamais é um atestado da vitalidade criativa do diretor italiano Marco Bellocchio, num filme cheio de momentos líricos, densos e engraçados.
 
Na versão atual, reúne-se seis episódios – que afinal mantêm uma impressionante unidade -, filmados entre 1999 e 2008, e que tiveram início com uma oficina de cinema, a Fare Cinema, conduzida por Bellocchio em Bobbio, sua cidade natal, próximo a Piacenza, Emilia-Romagna.
 
Ficção e documentário entrelaçam-se intimamente ao longo dos segmentos, que têm como personagens membros da família Bellocchio, suas irmãs, Letizia e Maria Luisa, e seus filhos, Pier Giorgio e Elena, vivendo, até certo ponto, suas próprias vidas, numa trama que tem desdobramentos ficcionais e incorpora outros atores, como Donatella Finocchiaro e Alba Rohrwacher.
 
A referência a Anton Tchecov, feita logo no início num texto lido por Pier Giorgio, sinaliza a intenção do diretor de comentar a relativa imobilidade da vida na província e a situação de suas irmãs, que nunca se casaram e permanecem na casa familiar como uma espécie de porto seguro para os sobrinhos em dificuldades.
 
As duas irmãs criam a pequena Elena, de cinco anos, cuja mãe, Sara (Donatella Finocchiaro), tenta a sorte como atriz em Milão. Seu irmão, e tio da menina, Pier Giorgio, critica Sara pela atitude e tenta fazer o papel de pai para ela. Ele mesmo tem suas dificuldades emocionais e financeiras e recorre à proteção das tias.
 
Enquanto os anos se passam, Elena cresce, torna-se adolescente. Sua mãe finalmente conseguiu um grande papel e quer levá-la para morar consigo em Milão – o que pode gerar uma crise, já que a garota estabeleceu vínculos em Bobbio.
 
Enquanto isso, Pier Giorgio vem e vai de Bobbio, perseguindo projetos que nunca dão certao e alimentam uma eterna insatisfação e revolta. Nada que rompa o vínculo com a família, que no filme se chama Mai (Jamais) – o que confere uma ambiguidade no título que poderá escapar a alguns, mas é uma das finas ironias aqui.
Intercalando as histórias da família, estão situações como as festas na cidadezinha, cheias de colorido e música, que lembram o papel da arte nestas vidas. Uma noite, vão todos ao teatro, assistir a uma sessão da ópera Il Trovatore, de Giuseppe Verdi. Há personagens misteriosos, como uma moça que se apaixonou por Pier Giorgio no passado (Silvia Ferretti). E, mais ainda, o administrador dos bens das irmãs, Gianni (Gianni Schicchi), que protagoniza um intrigante segmento final.
 
Onde acaba a vida e começa a arte? Ao final da projeção, não se está muito interessado em descobrir. Afinal, aqui se falou de tudo – da vida na província, dos sonhos, de crescer, das dificuldades financeiras, da busca do futuro e da finitude. Quem quiser, que conte outras histórias. Porque, como se viu aqui, quando se coloca uma lente nos pequenos detalhes, surge o tecido oculto da vida, o complexo oculto na simplicidade, como revelou Tchecov em suas histórias de quase nada, de muito tudo.

Neusa Barbosa


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