Uma garrafa no mar de Gaza

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Tal tem 17 anos, é francesa, judia e vive em Jerusalém. Naim tem 20, é palestino e vive em Gaza. Uma carta em uma garrafa jogada ao mar cria um canal de diálogo à distância entre dois mundos em guerra, que nunca encontram um canal adequado para discutir suas diferenças.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

05/04/2013

Segundo filme do diretor francês Thierry Binisti, Uma Garrafa no Mar de Gaza parte do romance de Valérie Zenatti e tem como foco um público jovem para abordar a complicada questão do conflito árabe-israelense.
 
Não existe aqui a densidade de um filme de Amos Gitai, Eran Riklis ou Elia Suleiman, nem a intenção de esgotar um assunto que rende polêmicas há várias décadas, sem solução à vista. Com um tema desses, o filme é político até sem querer, embora por seu enfoque procure, até certo ponto, manter a política fora da vista. O fio condutor é intimista. Parte da inusitada ideia de uma adolescente de Israel, Tal (Agathe Bonitzer), de enviar uma mensagem a Gaza, numa garrafa lançada ao mar pelo irmão soldado dela.
 
A própria garrafa é um objeto em desuso, anacrônico nesta função, numa época em que todo mundo usa a internet – especialmente os adolescentes, como Tal. Ainda assim, a garrafa chega, como pretendia a garota, a um grupo de jovens palestinos. Eles riem da mensagem. Um deles, no entanto, resolve responder ao e-mail enviado por Tal, identificando-se como “Gazaman”.
 
Na verdade, ele se chama Naim (Mahmoud Shalaby, de O Filho do Outro) e, compreensivelmente, é agressivo nos primeiros contatos. Encara com natural desconfiança essa tentativa bom-mocista de contato por parte de alguém que, a seu ver, faz parte daqueles que, do lado de lá, tornam a vida dos palestinos insuportável.
 
Tal, por sua vez, quer entender o que motiva a raiva desse “outro lado” a lançar pedras e bombas que provocam atentados, como um, num café, que vitimou uma moça que ela conhecia.
 
Sem pretender absorver nem explicar todo o explosivo contexto político envolvendo Israel e os palestinos, a história se sustenta na sinceridade que vai se estabelecendo nesse diálogo entre os dois jovens. Enquanto na tela se enxerga as enormes diferenças da vida de um e do outro, nas mensagens eles conseguem encontrar, às vezes, denominadores comuns, como o sentimento de mudança.
 
O enredo incorpora uma pegada mais realista quando expõe as pressões que cada um deles sofre por conta desta correspondência secreta – que acarreta um risco pessoal bem maior para Naim. Em nenhum momento, portanto, se perde a noção de que não se vive no melhor dos mundos, nem no mais pacífico dos tempos. Mas a própria manutenção do diálogo entre eles, ao longo de cerca de um ano, mantém aberta uma brecha, uma esperança, ainda que não sugira que a saída dos impasses na região seja encontrada por passe de mágica. Ou por garrafas lançadas ao mar.
 
Em que pese faltar uma maior ambição ao alcance da história, os desempenhos dos atores principais e de coadjuvantes de luxo – como a talentosa Hiam Abbass, no papel da mãe de Naim – são concisos e delicados. E Uma Garrafa no Mar de Gaza está longe de ser uma perda de tempo.

Neusa Barbosa


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