Às escondidas (Na ponta dos pés)

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Crtica Cineweb

27/03/2013

Uma família parte para uma corriqueira viagem de final de semana. Os pais procuram sair da cidade como forma de escapar da rotina exaustiva de trabalho que aquele espaço remete. A criança, por sua vez, já está cansada deste hábito semanal e não quer mais participar daquela fuga da realidade. É esta imagem que compõe as primeiras cenas de Na Ponta dos Pés, segundo longa de Olivier Ringer que discute a questão da incomunicabilidade dentro de uma das instituições mais importantes da sociedade, a família.

Não é à toa que, em cerca de 90% desta produção franco-belga, tudo que o público ouve são os pensamentos de Cathy (Wynona Ringer, filha do diretor), até porque a menina não tem com quem falar. Nas primeiras cenas dentro do carro, não há nenhum tipo de conversa do casal com a própria filha. Ela apenas tenta se distrair da longa viagem de Paris à casa de campo, reparando nos tiques nervosos do pai ou jogando no seu Nintendo DS – e “conversando” com os personagens do game – até acabar a bateria.

Durante o final de semana, os adultos somente chamam o nome de Cathy para que a garota execute as tarefas que lhe são pedidas, como almoçar. Mas quando ela não está com fome e resolve não participar da refeição, o lugar vazio na mesa não incomoda os pais dela. A cena soma-se a outras que alimentam dentro da menina o sentimento de invisibilidade.

Chega, então, o momento em que ela resolve concretizar o que parece claro em sua cabeça. Agora é Cathy quem resolve fugir daquela realidade, com o objetivo de, finalmente, se tornar invisível para os pais.

O curioso é que o primeiro lugar em que ela se esconde é em uma casinha de cachorro, justamente o animal de estimação ao qual muitos humanos dão maior atenção e carinho do que a seus semelhantes – ou até mesmo seus descendentes.

Depois, a criança parte para a floresta, onde tem de apender na marra a superar as condições adversas daquele ambiente. Porém, não espere uma aventura à la Robinson Crusoe e sim uma luta solitária pela sobrevivência como a de Tom Hanks em Naufrágo (2000). Nesse período, ela desenvolve uma grande intimidade com a natureza que a cerca, criando uma relação paternal de amor e zelo – aquela que não recebe dos próprios pais – com os seres vivos, a exemplo das “sementes mágicas”, do peixe que ela decide não comer e do lobo que resolve não devorá-la.

Apesar de assistirmos a tudo através do olhar da menina, este não é um filme “Sessão da Tarde”. Com seu tom reflexivo, o longa não se propõe a entreter crianças da idade de Cathy; provavelmente, as deixaria entediadas. O seu alvo é o oposto.

O ponto de vista dela, no qual não é possível identificar os pais dessa garota, se propõe a isso. A câmera baixa, os planos laterais e contraplanos trazem silhuetas, mas não mostram detalhes dessas figuras quase etéreas. Ao filmar assim, Olivier Ringer materializa essa distância entre eles e a protagonista e cria uma identificação: a do espectador com estes pais ausentes.

Ao colocar-se no lugar deles, o público não só percebe que comete erros semelhantes aos dos personagens adultos, como também pensa, igual à Cathy, que o melhor seria não crescer e ser eternamente criança.

Nayara Reynaud


Trailer


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