A hospedeira

A hospedeira

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País


Sinopse

Quando a Terra é tomada por alienígenas, alguns grupos de humanos formam focos de resistência. Uma garota acaba capturada, e dentro dela introduzem uma forma alienígena chamada Peregrina. Porém, Melanie parece ser capaz de dominá-la.


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Crítica Cineweb

25/03/2013

A hospedeira baseia-se num romance de Stephenie Meyer – autora da milionária trilogia Crepúsculo, que rendeu quatro filmes. E, como sua obra mais famosa, retrata um triângulo amoroso entre espécies diferentes. Se na franquia anterior tratava-se de uma humana dividida entre um vampiro e um lobisomem, aqui a humana é hospedeira de uma forma alienígena, havendo um rapaz apaixonado pela garota e outro pela extraterrestre que há dentro dela.
 
Parece confuso, mas não é. A trama, adaptada por Andrew Niccol, que também assina a direção, se passa num Planeta Terra tomado por formas alienígenas que, vivendo dentro dos humanos, transformaram a todos em seres gentis, honestos e pacíficos – além de deixar os olhos literalmente brilhantes. No entanto, ainda há focos de resistência, com humanos não tomados pelos seres. Na primeira cena do filme, a protagonista Melanie (Saoirse Ronan) é uma dessas humanas não incorporadas, que acaba capturada e recebe uma Alma - esse é o nome dado aos seres implantados nas pessoas.
 
A partir daí, passam a conviver dentro da mesma pessoa Melanie e a Peregrina – o nome da entidade. Podemos ouvir a voz de Melanie e suas aflições, mas quem toma as decisões é a Peregrina. A humana quer reencontrar o irmão (Chandler Canterbury) e o namorado, Jared (Max Irons). A volta dela para o centro de resistência, porém, coloca em risco o grupo, que inclui seu tio Jeb (William Hurt). Mesmo colocando seu esconderijo em risco, ela foge e é perseguida por outra humana tomada por um alien, que recebe o nome de Buscadora (Diane Kruger), responsável por capturar os que continuam apenas humanos.
 
É nesse lugar, escondido num vulcão extinto, que a Peregrina se apaixona por Ian (Jake Abel), para desespero de Melanie e ciúmes de Jared. Esse triângulo amoroso – estranhamente envolvendo três pessoas e meia, por assim dizer – é o que há de menos interessante no filme. Não é muito diferente do núcleo central de Crepúsculo. Porém, ao contrário da história de Bella e Edward, aqui há um elemento de ficção científica que garante alguma profundidade ao filme.
 
As boas ficções científicas falam-nos não do futuro ou de situações improváveis, mas fazem uma releitura de nosso presente. Em A hospedeira, os alienígenas chegam à Terra impondo suas formas de paz e democracia – nada muito diferente da política externa dominante dos Estados Unidos, especialmente sobre pequenos países do Oriente Médio. Depois de “contaminados”, todos os humanos se vestem, pensam e agem praticamente da mesma forma – uma homogeneização não muito diferente da sociedade de consumo contemporânea, que exclui o diferente e prega que todos comprem as mesmas coisas.
 
Niccol, cujo currículo de direção inclui Gattaca – Experiência Genética e Simone, é um diretor interessado exatamente nas distopias, como “A hospedeira”. No primeiro filme, retratou um mundo perfeito, em que as pessoas eram planejadas por engenharia genética, não havendo lugar para os “impuros”, concebidos da maneira tradicional. Já no outro filme, um produtor de cinema criava uma atriz digitalmente e esta se tornava um grande sucesso. Em sua obra, o diretor – que também escreveu o roteiro de O show de Truman – se interessa por personagens que vão contra as regras estabelecidas e se rebelam.
 
Melanie, aos poucos, toma conta de Peregrina – que passa a ser chamada de Peg quando se une aos humanos – e mostra a ela as imperfeições dos terráqueos, coisas que os seres de outros planetas não aceitam e tentam modificar. A parte da ficção científica é plausível e bem armada, mas o final açucarado e improvável é um pouco frustrante.

Alysson Oliveira


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