O Pacto dos Lobos

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Crítica Cineweb

28/02/2003

Os americanos que se cuidem, porque o cinema francês parece estar dominando aquela fórmula mágica que, em Hollywood, transformava qualquer pedaço de celulóide em ouro. Depois do sucesso de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain - uma comédia romântica com ingredientes mais sofisticados que os tradicionais e batidos clichês americanos - e de Astérix, um filme infantil que agrada a toda a família, chegou a vez de O Pacto dos Lobos, uma aventura com doses de suspense, ação, efeitos especiais e elementos sobrenaturais, que até pouco tempo atrás apenas os americanos se julgavam capazes de realizar. O filme, de Christophe Gans, desembarca no Brasil depois da proeza de ter conseguido levar mais de 5 milhões de franceses ao cinema.

Por motivos que vão dos meramente econômicos - o efeito cambinal com a introdução do euro na Europa unificada - até à saturação das velhas fórmulas que os estúdios americanos insistem em empurrar para os mercados consumidores, o cinema francês está conseguindo nos últimos dois anos uma façanha digna de Astérix contra as aparentemente invencíveis legiões gaulesas, aplicando golpes impiedosos na poderosa Hollywood. Hoje os franceses já detêm 41% do próprio mercado.

Para as platéias brasileiras que ainda não se acostumaram ao charmoso sotaque do país de Brigitte Bardot, O Pacto dos Lobos é mais um motivo para o espectador sair de casa e descobrir que existe vida inteligente fora de Hollywood.

O filme é uma livre interpretação de uma história real, com componentes fantásticos, ocorrida no século XVIII no reinado de Luís XV, quando um animal misterioso - aparentemente um casal de lobos - espalhou o terror na região de Gévaudan, matando de 60 a 100 pessoas, mobilizando mais de 20 mil homens em sua caçada. Para os camponeses, a fera misteriosa era conhecida como a besta de Gévaudan, e suas vítimas preferidas eram mulheres e crianças.

No filme, Grégoire de Fronsac (Samuel Le Bihan) é um naturalista aventureiro enviado pelo rei para a região onde ocorrem as mortes misteriosas. Acompanhado de um índio moicano, Mani (Mark Dacascos), usa seus conhecimentos da vida selvagem na esperança de matar o animal. Hospedados pelo marquês D'Apcher (Hans Meyer), gastam três meses numa caçada infrutífera, mas que só faz aumentar a atração do herói por Marianne (Émilie Dequenne), de uma família nobre.

Acostumado ao racionalismo, Fronsac não quer acreditar que o estranho animal seja uma figura diabólica, como várias testemunhas descrevem. Também é difícil aceitar, como querem alguns, que se trata de um lobo descomunal. Afinal, por sua sistemática implacável, os crimes também podem estar sendo cometidos por mãos humanas.

Seu fracasso leva o rei a nomear outro caçador, que não pensa duas vezes em forjar a morte do animal, forçando Fronsac a participar da farsa. Fica claro que o governo quer acabar com o clima de pânico na região, nem que para isso tenha que encontrar um bode expiatório. Também não interessa a fermentação de um caldo de descontentamento entre os mais pobres - na verdade, as únicas vítimas da besta.

Alguns exageros são cometidos pelo diretor ao tentar tornar a história mais movimentada, misturando cenas de ação dignas de filmes de artes marciais, com componentes místicos e políticos. Uma prostituta, interpretada pela belíssima Monica Bellucci, terá um importante papel no desdobramento da trama. Talvez a roteirista Stephane Cabel tenha se entusiasmado demais para concluir a história de uma forma inesperada. Mesmo aqui, parece estar aperfeiçoando as lições deixadas pelos colegas americanos.

Cineweb-14/6/2002

Luiz Vita


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