Anna Karenina

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Locais de filmagem


Sinopse

Anna Karenina é casada com o Conde Karenin, e infeliz. Quando conhece Vronsky, vê nele a chance de ser feliz, e tem um caso extraconjugal. O desenrolar dos fatos, porém, é trágico. Adaptação ousada do famoso romance do russo Liev Tolstói.


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Crítica Cineweb

12/03/2013

Todas as heroínas românticas são iguais, as trágicas são trágicas cada uma à sua maneira. As infiéis recebem a devida punição como nos clássicos O primo Basílio, do português Eça de Queiroz, e no francês Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Em Anna Karenina, de 1873, seu autor, o russo Liev Tolstói, contrapôs a protagonista heroína-trágica, com um herói romântico, chamado Levin. Sua ideia era o retrato de dois casamentos – o feliz e o infeliz, daí a célebre frase de abertura: “Todas as famílias felizes são iguais, as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira”.
 
Dirigido pelo inglês Joe Wright (Orgulho e Preconceito, Desejo e Reparação), o filme segue à risca esse retrato de dois casamentos, que passam por provações até atingirem seus destinos anunciados. Até agora, em suas adaptações, o diretor havia se mantido fiel às fontes literárias – Jane Austen e Ian McEwan, respectivamente. Ao contrário, em “Anna Karenina” ele deixou o pudor de lado e mostrou-se bem mais criativo, até mesmo ousado.
 
O longa se passa, em boa parte, dentro de um teatro. No entanto, a movimentação de câmera e a montagem são capazes de transpor as barreiras que poderiam transformar o filme num teatro filmado. Pode, por um lado, soar como uma metáfora óbvia: a vida da alta sociedade não passa de uma encenação. Ao mesmo tempo, ao transpor as limitações técnicas e narrativas, o diretor é capaz de dar fôlego e espanar a poeira de um filme de época.
 
A ambição – bem-sucedida em boa parte – encontra apenas alguma limitação em Keira Knightley, atriz especializada em filmes de época e fetiche do diretor, figurando no elenco de suas duas outras adaptações. Ainda assim, ela não compromete o resultado final, apesar de atravessar as pouco mais de duas horas de Anna Karenina com a mesma cara – aquelas mesmas expressões faciais de quando fez Elizabeth Benneth, heroína do século XVIII de Orgulho e Preconceito, e Cecilia Tallis, personagem do século XX que protagoniza “Desejo e Reparação”.
 
Apesar de ser a personagem-título de Anna Karenina, a trama do longa está um tanto dissolvida, de modo que o peso da responsabilidade não recai sobre seus frágeis ombros. Anna, mulher casada com um homem mais velho, o conde Karenin (Jude Law), encontra o amor que faltava em sua vida nos braços de um oficial da cavalaria, o conde Vronsky (Aaron Taylor-Johnson). Paralelamente, Levin (Domhnall Gleeson), um fazendeiro apaixonado pela mimada Kitty (Alicia Vikander), tenta conquistar o seu amor, mas ela, garota da cidade, não o vê com bons olhos.
 
A partir de uma trama quase banal de amor e traição, Tolstói traça um painel da Rússia czarista prestes a ruir. O fundo histórico está sempre por de trás da trama ficcional, em sua grandiosidade e exageros visuais – na direção de arte, fotografia e figurino, este ganhador do Oscar. É como se a aristocracia estivesse tão preocupada em representar para seus pares suas próprias convenções sociais que não percebesse as transformações que se aproximam.
 
Seguindo Tólstoi, o dramaturgo inglês Tom Stoppard, que assina o roteiro, constrói a trama em cima de pequenas antecipações. Logo no começo da história, Anna precisa ir de São Petersburgo a Moscou para ajudar a resolver uma crise no casamento do irmão Oblonsky (Matthew Macfadyen), que trai sua mulher, Dolly (Kelly Macdonald). É um prenúncio do outro caso de infidelidade que se tornará o centro do drama. A maior pista de todas é o local onde Anna e Vronsky se conhecem: numa estação de trem.
 
Já Levin – um alter-ego do próprio Tolstói –, devotadamente apaixonado por Kitty, que se resigna a ficar sozinho quando ela o esnoba, tem projetos sociais e sua personalidade passa longe do individualismo dos outros personagens. Essas características encontram uma representação formal: nas cenas desse personagem, o longa deixa a claustrofobia do teatro e vai para o campo, a céu aberto.
 
É possível que os amantes mais puristas do romance original tenham reparos ao filme de Wright. Por outro lado, é irônico que uma das melhores adaptações de Tolstói se passe num teatro, pois o próprio Tolstói não gostava de teatro. Mas a força e beleza do filme materializam-se exatamente nisso. E não há nada mais belo do que uma corrida de cavalos que se passa em cima de um palco.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 06/05/2013 - 09h57 - Por Marcia j s Zanotti Otimo fílme e ótima critica com a qual concordo plenamente.
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