O Homem que Não Estava Lá

Ficha técnica

  • Nome: O Homem que Não Estava Lá
  • Nome Original: The Man Who Wasn´t There
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2001
  • Gênero: Policial
  • Duração: 116 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção:
  • Elenco:

Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

28/02/2003

Num ano em que o discreto charme dos policiais está sendo redescoberto, nada como embarcar no clima sinistro do noir numa fotografia em preto-e-branco tão elegante quanto a de Roger Deakins, merecidamente indicado pela quinta vez ao Oscar. Embora a falta de indicações em diversas outras modalidades, como ator, atriz, roteiro e direção, fiquem mais difíceis de explicar do que o mistério central desta história.

A sofisticação começa, afinal, no título, que faz um aceno a dois filmes de sir Alfred Hitchcock, O Homem que Sabia Demais (versões em 34 e 56) e O Homem Errado (58). De Hitchcock, também, tomou-se emprestada a locação na cidade californiana de Santa Rosa, cenário de outro filme do rei do suspense, A Sombra de uma Dúvida (43). Nada de estranhar nestas referências nem no esmero da produção ou da reconstituição de época (final dos anos 40), fiel em cada detalhe, em cada vidro de loção, em cada espelho, cada pente e no avental impecável do caladíssimo barbeiro Ed Crane (Billy Bob Thornton).

Afinal, esta obsessão pelo perfeccionismo de todos os artifícios que tornam o cinema a arte visual mais poderosa de todas é a especialidade da dupla Joel e Ethan Coen. Tudo em família, os irmãos, como de hábito, dividem os créditos do roteiro, deixando a Joel a direção, a Ethan a produção e o principal papel feminino a outro membro do clã, Frances McDormand, mulher de Joel.

Frances defende o papel de Doris Crane, a mulher do barbeiro que fala e bebe bem mais do que ele mas, apesar das diferenças notórias entre os dois, parece alimentar-se da passiva solidez do caráter do marido. Do silêncio nasce o equilíbrio bizarro que reina entre o casal e também todos os equívocos que guiam sua trajetória rumo a sucessivas tragédias.

Ed cai na lábia de um viajante (Jon Polito), a quem entrega suas economias, iludido pela miragem de um suposto investimento numa rede de lavanderias. O desastre financeiro não demora a desencadear uma série de erros, que envolve chantagem e assassinato.

Fechados numa chave claustrofóbica, os personagens parecem mover-se numa bolha de tempo, como se fossem prisioneiros de um episódio do antigo seriado Além da Imaginação. Mas escapam de ser apenas caricaturas bizarras, humanizando-se por conta de seus pecados, todos dramaticamente comuns. Fino exemplar do gênero noir, o filme deve algo a trabalhos anteriores dos próprios Coen, como Gosto de Sangue (84) mas sem o alívio do humor negro de Fargo (96), embora os supere com vantagens. Os Coen estão amadurecendo em grande forma artística. O reconhecimento veio pelo menos por parte do Festival de Cannes/2001, que deu a Joel Coen um troféu de melhor direção por este filme (dividido com David Lynch, não menos esteta por seu por enquanto inédito Cidade dos Sonhos).

Cineweb-1/3/2002

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança