César deve morrer

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Sinopse

Dentro de uma das maiores prisões italianas, Rebibbia, nos arredores de Roma, um diretor teatral escolhe o elenco e ensaia a montagem da peça "Júlio César", de William Shakespeare. Vida e encenação se misturam nos ensaios.


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Crítica Cineweb

01/02/2013

Vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim 2012, César Deve Morrer não parece um filme feito por dois diretores octogenários, no caso, os irmãos italianos Paolo e Vittorio Taviani.

Filmando juntos há quase 60 anos, donos de uma Palma de Ouro em Cannes por Pai Patrão (1977) e uma série de obras que os consagraram, como Allonsanfan (74), Kaos (84) e Bom dia Babilônia (87), eles realizaram aqui seu primeiro filme em digital, quase inteiramente em preto-e-branco e, o que é mais inusitado ainda, escolheram como elenco alguns detentos da prisão de segurança máxima Rebibbia, nos arredores de Roma. A imensa prisão, aliás, é também o cenário da maior parte deste docudrama, que acompanha uma montagem da peça Júlio César, de William Shakespeare, por um grupo de prisioneiros.
 
Contando com a parceria de um diretor teatral, Fabio Cavalli – creditado como corroteirista -, os Taviani lançam-se a esta experiência, começando pela escolha dos intérpretes. Colada ao rosto dos candidatos, a quem se pede apenas que digam seus nomes e de onde vêm, a câmera parece entrar por debaixo de sua pele e expor a impressionante afinidade entre seus semblantes marcados e a trama da peça, calcada na conspiração para assassinar o imperador Júlio César.
 
Habilmente, os Tavianis exploram esse apagamento da fronteira entre vida e arte, entre realidade e encenação, usando o próprio ambiente da prisão como cenário principal, já que o filme se ocupa principalmente dos ensaios da peça. As paredes nuas e descascadas, a luz natural que escoa de janelas gradeadas, os altos muros transformam-se sem artifício nos corredores do Fórum Romano e dos palácios da ficção, sem que para isso o espectador precise mais do que acompanhar a impressionante dedicação de seus intérpretes – confirmando que neste lugar, em que toda a esperança parece perdida, pode igualmente renascer a essência de um teatro que se aproxime da complexidade da vida.
 
Ficam na memória as performances de Salvatore Striano, como Brutus, Cosimo Rega, como Cássio, e Giovanni Arcuri, como César, homens que têm nas costas crimes como assassinato e tráfico. Não há como deixar de pensar na inquietante ambiguidade da natureza humana. 

Neusa Barbosa


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