O lado bom da vida

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Pat acaba de sair de uma clínica onde foi internado depois de um surto ao flagrar sua mulher o traindo. Ainda apaixonado por ela, quer provar que está bem e pode a reconquistar. Quando conhece Tiffany, irmã de uma amiga de sua ex, vê nela a aliada perfeita. Porém, a garota só o ajudará se ele participar de um concurso de dança com ela.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

28/01/2013

Quando Dolores (Jacki Weaver) traz de volta para casa o filho caçula, Pat Jr. (Bradley Cooper), que estava numa clínica para problemas emocionais, parece que a paz está voltando àquela família. O reencontro com o pai, Pat (Robert De Niro, ótimo, como há muito não se via) é alegre, mas fica algo de estranho no ar. Não demora muito para se perceber que ninguém nesta casa é tão normal assim, nessa comédia dramática e romântica dirigida por David O. Russell (O Vencedor), que também assina o roteiro, baseado num romance de Matthew Quick.
 
Dolores é, na verdade, um dos poucos elos com a sanidade entre os personagens do filme. A partir do momento que Pat Jr. conhecer Tiffany (Jennifer Lawrence, vencedora do Oscar de melhor atriz, do Globo de Ouro e do prêmio do Sindicato dos Atores), aquela velha frase “de perto, ninguém é normal” ganha mais força ainda. A moça acabou de perder seu marido policial num acidente. Transtornada, ela transa com todos seus colegas de escritório até perder o emprego.
 
São essas duas almas perdidas no mundo e precisando um do outro (embora eles ainda não o saibam) que dão o tom à história. O olhar sobre o casal não poderia ser mais terno, sem nunca ser condescendente. Muito ajuda a química entre Cooper e Jennifer, cujo romance desencontrado não podia despertar mais simpatia. Ao contrário de filmes como Inverno na Alma e Jogos Vorazes, nos quais a atriz era uma força da natureza, aqui ela se mostra mais vulnerável – o que comprova sua versatilidade (se é que havia alguma dúvida). Seu colega de cena, Bradley Cooper, é mais surpreendente ainda, longe do humor histérico da série de comédias que o tornou famoso, Se beber não case.
 
 O lado bom da vida conta com diversas cenas em que o caos impera, a partir de uma gritaria histérica entre os personagens. Mesmo assim, é uma história simpática, exatamente por ser humana, porque aqueles personagens são sinceros – mesmo quando exagerados, nunca parecem irreais. O diretor Russell orquestra tudo isso da melhor maneira possível, prolonga as situações até o limite, passa um pouquinho, mas percebe quando é hora de voltar e colocar os pés no chão novamente.
 
A volta ao lar para Pat Jr. é motivo de esperança de reconquistar sua ex-mulher, Nikki (Brea Bee), de quem ele não pode, por ordem judicial, aproximar-se, depois de um surto agressivo. Por isso, ele se lança histericamente à leitura dos livros que ela, professora de literatura, indica aos seus alunos, ou se entrega ao desespero no meio da noite ao não encontrar o antigo vídeo do casamento deles. Aí está igualmente o motivo dos desentendimentos com o pai. Tiffany, embora poucos percebam, é a chance de Pat Jr. reencontrar-se consigo mesmo e com o mundo.
 
Tiffany também não tem o menor rumo na sua vida. Sua única motivação é um campeonato de dança, embora não tenha nem mesmo um parceiro, até a chegada de Pat Jr. Eles vão brigar, se odiar, até perceber que – como manda a regra – não podem viver um sem o outro. Antes disso, precisam encarar algo bem mais sério: seus estados emocionais. E, nesse quesito, Pat pai também é uma figura relevante. Viciado em apostas, jogos de futebol americano e distante do filho que não consegue compreender, a paixão pelo esporte será o elo e o caminho para o reencontro entre os dois. Assim como a dança será o catalisador para Pat Jr. redescobrir o seu eixo.
 
O lado bom da vida prova que é possível fazer uma comédia romântica ao modo hollywoodiano – onde mais um namoro iria curar casos de loucura? – sem cair no previsível ou no piegas. Talvez ainda seja muito cedo para garantir, mas é bem provável que este longa estabeleça um novo padrão para o gênero – o que é muito bem-vindo.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 06/02/2013 - 16h04 - Por Alline Cara, o filme é nota dez!
  • 19/02/2013 - 14h27 - Por Dan Afinal, TIFFANY TAMBÉM É BIPOLAR?
    O filme é maravilhoso!
  • 18/03/2013 - 10h15 - Por Lino Zero O filme é bom, mas não achei esse "excelso". Os protagonistas conseguiram, realmente, cativar e De Niro, como sempre, deixa sua marca.
  • 07/03/2015 - 16h43 - Por BESSAMOR O livro que deu origem ao filme em tela, é sensacional, cortante, profundo e o filme, mutilou completamente o livro, criando ainda situações que não existem no livro. Tirante a dupla principal, BRADLEY COOPER e JENNIFER LAWRENCE, muito bons, com ROBERT DE NIRO, no ocaso de uma brilhante carreira, num papel ampliado e que nada acrescenta, e a trilha sonora e fotografia, também, são fatos positivos.
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